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Campo Largo, sexta-feira, 10 de outubro de 2025
Geral
Projeto Cata Arte leva reflexão sobre reciclagem e transforma estudantes em “guardiões da natureza”
O projeto Cata Arte
segue impactando a co-
munidade de Campo Lar-
go e, agora, chega tam-
bém às escolas municipais
com exposições itineran-
tes. Entre os dias 02 e 14
de setembro, a mostra re-
cebeu cerca de 22 mil vi-
sitantes no Cineplus do
City Center Outlet Pre-
mium. Com a nova etapa,
mais de dois mil estudan-
tes da rede municipal terão a opor-
tunidade de conhecer de perto obras
de arte feitas a partir de materiais re-
cicláveis.
No dia 30/09, foi a vez dos alu-
nos da Escola Municipal Luiza Gon-
çalves Monteiro, em Bateias, recebe-
rem o artista e idealizador do proje-
to, Toto Lopes. Ele apresentou 11
obras criadas a partir de resíduos,
como uma mesa de centro feita com roda
de bicicleta, luminária produzida com
cano de água modelado, quadro confec-
cionado a partir de calça jeans, além de
esculturas feitas com pedaços de fer-
ro, potes de requeijão e até latas de
spray já utilizadas dentro do próprio
projeto que se transformaram em
verdadeiras peças artísticas.
Mais do que mostrar itens úni-
cos de arte e decoração, o encontro
reforçou a importância da separação
correta do lixo. Toto destacou para
os estudantes que os resíduos lim-
pos e secos chegam de forma mais
adequada às cooperativas, facilitan-
do o trabalho dos recicladores. “Ati-
tudes como essas fazem toda a di-
ferença para quem está na ponta final e
precisa separar o material”, ressaltou.
As crianças acompanharam a ati-
vidade com atenção e compartilha-
ram suas próprias experiências. A
diretora da escola, Claudelise Basso,
contou que todos os anos os 1º e 4º
anos trabalham com a reciclagem e
visitam centros de reaproveitamen-
to de resíduos. Neste ano, o 4º ano
está desenvolvendo um projeto de li-
xeiras para a escola, por exemplo,
incentivando os demais alunos e fa-
mílias a colaborarem. “Ficamos mui-
to felizes em receber o Toto e o Cata
Arte aqui, porque contribuiu muito
com o nosso projeto. Foi muito bom
termos um artista campo-larguense,
reconhecido nacionalmente, trazen-
do cultura para dentro da escola e
gerando transformação. Isso ajuda as
crianças a terem um olhar mais críti-
co para a questão do lixo”, destacou.
O envolvimento dos estudantes
ficou evidente em situações espon-
tâneas, como quando, ao ouvir so-
bre a reciclagem da caixinha de leite,
uma aluna do 1º ano disse pronta-
mente “dá para transformar em um
coelhinho”. Para Toto, esse olhar já
faz parte da nova geração.
“As crianças não apenas apren-
dem a importância da reciclagem,
mas passam a enxergar o mundo de
uma forma diferente. Elas percebem
que aquilo que antes era visto como
lixo pode ganhar uma nova vida e se
transformar em algo belo, útil e cheio
de significado. É nesse instante que
se tornam verdadeiros ‘guardiões da
natureza’, porque carregam consigo
a responsabilidade de cuidar do pla-
neta e de inspirar suas famílias e co-
munidades a fazerem o mesmo. É
uma semente que plantamos hoje e
que certamente vai florescer no fu-
turo”, afirmou o artista.
As obras apresentadas nas esco-
las são resultados de oficinas reali-
zadas em cooperativas e associações
de catadores, nas quais cerca de 70
recicladores foram capacitados em
técnicas de pintura, colagem e mo-
delagem, além do uso de ferramen-
tas como serra tico-tico, soprador e
montagem. O trabalho resultou em
peças de acabamento refinado, que
dão novo significado ao que antes
seria descartado, unindo reciclagem,
arte e transformação social. A expo-
sição itinerante passou pelas Esco-
las Municipais Reino da Loucinha,
João Santana, 1° de Maio, Luiza Gon-
çalves Monteiro e Hans Schmidt.
O projeto é produzido pela Toto
Artes, com apoio da Ligga Telecom,
Copel e Prefeitura de Campo Largo
e realizado pelo Programa de Fo-
mento e Incentivo à Cultura do Pa-
raná (PROFICE), da Secretaria da
Cultura do Estado.
Fonte; Projeto Cata Arte - divulgação
Alunas de Campo Largo levam projeto a evento nacional de empreendedorismo jovem
No Colégio Estadual Otalípio
Pereira de Andrade (Bateias), em
Campo Largo, o clima é de expecta-
tiva entre alunos e professores. Nes-
te mês de outubro, as alunas Daiane
de Andrade Russo (16), Isabela Do-
bgenski (15), Poliana Maria Macha-
do Sidoski (16) e Ana Lívia Barce-
llos Barbosa (16), todas matriculadas
na 2ª série do Ensino Médio integra-
do com Técnico em Administração,
embarcam rumo a Teresina, no Piauí,
onde representarão a escola na Fin-
dinexa Brasil, experiência imersiva
voltada ao empreendedorismo jo-
vem.
O evento, que acontece de 14 a
19 de outubro, tem como foco esti-
mular em participantes de 15 a 24
anos o protagonismo, a criatividade,
a inovação e competências socioe-
mocionais, por meio de atividades
práticas, dinâmicas de integração e
aproximação com o ecossistema do
empreendedorismo. Participam desta
edição mais de 5 mil jovens empre-
endedores de diversos países, como
Itália, Uruguai, Argentina e Peru.
O projeto que garantiu a partici-
pação das estudantes no evento foi
desenvolvido em sala de aula e ga-
nhou visibilidade nacional a partir do
programa educacional Junior Achie-
vement, iniciativa internacional rea-
lizada gratuitamente em escolas de
todo o mundo, por entidades do ter-
ceiro setor. O programa propõe a
realização de atividades em sala de
aula, focadas no empreendedorismo,
com o objetivo de preparar os jovens
estudantes à realidade do mercado de
trabalho, em alinhamento ao empre-
endedorismo sustentável.
Intitulado ‘Rios Limpos com
Energia Solar’, o trabalho foi desen-
volvido com apoio e incentivo da
equipe pedagógica e subsídios da
empresa Impulso, responsável pela ges-
tão administrativa do colégio por meio
do Programa Parceiro da Escola.
LIMPEZA DOS RIOS
Criado como solução para a po-
luição fluvial, o trabalho consiste em
um protótipo de ecobarreira, estru-
tura geralmente instalada em rios,
canais ou córregos para reter resíduos
sólidos flutuantes, como plásticos, gar-
rafas PET e outros tipos de lixo, antes
que eles avancem para áreas maio-
res, como represas, lagos ou o mar.
O projeto inclui ainda uma es-
teira movida à energia solar, que re-
colhe os resíduos dos rios e deposita
diretamente em uma caçamba, de
onde seguem para a destinação am-
bientalmente adequada, como pro-
cessos de reciclagem ou descarte
controlado.
“Ao longo do nosso estudo, sou-
bemos que mais da metade dos rios
brasileiros apresentam certo nível de
poluição. O objetivo do nosso pro-
jeto é a limpeza dos rios a partir de
técnicas sustentáveis. Neste aspecto,
apostamos na ecobarreira, que con-
segue diminuir os dejetos das águas
em até 90%”, afirma Ana Lívia Bar-
cellos Barbosa, uma das alunas do
grupo.
DA ESCOLA PARA O BRASIL
O ponto de partida veio da inici-
ativa da professora Andréa Cláudia
Monteiro, coordenadora do curso
técnico em administração do colégio,
que articulou a adesão da escola ao
projeto Junior Achievement: medi-
ante parceria, sem fins lucrativos.
“Conheci o projeto como volun-
tária, capacitando jovens para o mer-
cado de trabalho, e percebi que seria
uma oportunidade valiosa aproximar
a ONG do colégio. A partir dessa
parceria, passamos a desenvolver
ações de formação em sustentabili-
dade, voltadas tanto para alunos
quanto para professores”, relata.
Durante a realização das ativida-
des propostas, as alunas desenvolve-
ram o projeto da ecobarreira, premi-
ado pelo programa com a oportuni-
dade de participar do Findinexa. Mais
do que o prêmio em si, a experiência
destacou o aprendizado e a supera-
ção. “O mais valioso não foi o prê-
mio, mas acompanhar a evolução das
alunas ao longo de todo o processo,
enfrentando inseguranças, ganhando
confiança, conquistando espaço e en-
xergando os resultados. Vivenciar
tudo isso não tem preço”, relata.
O professor Ademir José da Sil-
va também acompanhou de perto a
evolução não somente da equipe pre-
miada, mas de todos os estudantes
que participaram das atividades.
“Percebo um crescimento muito
grande da turma. Hoje as iniciativas
ESG fazem parte das pautas priori-
tárias das instituições e também dos
consumidores. Projetos como estes
capacitam os jovens a na implemen-
tação destas iniciativas quando esti-
verem inseridos no mercado de tra-
balho”, explica o docente.
OUTROS PROJETOS
Com os reconhecimentos rece-
bidos pelas alunas que desenvolve-
ram a ecobarreira, o interesse no de-
senvolvimento de projetos sustentá-
veis tomou conta da escola. A partir
de então, uma série de projetos com
soluções inovadoras surgiu. Ao todo,
foram desenvolvidos mais de 18 pro-
jetos sustentáveis pelos alunos da
instituição de ensino.
Entre os destaques, quatro alu-
nas do 7º ano desenvolveram um
protótipo de estação meteorológica
100% autônoma, movida a energia
solar, com o objetivo de instalar o
sistema nos arredores da escola. A
iniciativa surge diante da ausência de
estações próximas (a mais próxima
fica a 29 quilômetros) e da necessi-
dade de dados climáticos mais pre-
cisos para apoiar os agricultores da
região.
“Nossa maquete conta com di-
versos sensores que medem clima,
temperatura, umidade, velocidade do
vento, entre outros. Na parte eletrô-
nica, contamos com auxílio dos pro-
fessores do componente curricular
de robótica”, explica Ana Clara
Dombroski, de 12 anos.
“Nossos alunos hoje estão auto-
confiantes. Graças às iniciativas de-
senvolvidas com apoio dos subsídi-
os do programa Parceiro da Escola,
vemos crescer nos estudantes o en-
gajamento nas atividades científicas.
Essa estrutura não apenas fortalece
o aprendizado, mas estimula a criati-
vidade e o protagonismo dos estu-
dantes em projetos que impactam
diretamente a comunidade”, finaliza
a diretora da escola, Elis Cristina
Andrade.
PARCEIRO DA ESCOLA
O programa Parceiro da Escola
é fruto de uma lei estadual, após um
projeto-piloto em Curitiba e São José
dos Pinhais. A seleção das escolas
ocorreu em dezembro de 2024. As
82 unidades do Parceiro da Escola
estão distribuídas em 34 municípios:
Almirante Tamandaré, Andirá, Apu-
carana, Arapongas, Assis Chateaubri-
and, Bocaiúva do Sul, Cambé, Cam-
po Largo, Campo Magro, Cascavel,
Castro, Colombo, Curitiba, Fazenda
Rio Grande, Foz do Iguaçu, Guara-
puava, Ibiporã, Jaguariaíva, Londri-
na, Maringá, Matelândia, Matinhos,
Medianeira, Nova Aurora, Nova San-
ta Rosa, Ouro Verde do Oeste, Pal-
meira, Pinhais, Piraí do Sul, Ponta
Grossa, Pontal do Paraná, São José
dos Pinhais, Sarandi e Toledo.
O grupo Apogeu é responsável
pela gestão de 16 colégios estaduais
em Curitiba, Região Metropolitana
(RMC), Litoral e Guarapuava. A Tom
Educação faz a gestão de 32 unida-
des nas regiões Norte, Oeste, Cam-
pos Gerais, RMC e Curitiba. Nas
outras 34 escolas do programa, dis-
tribuídas entre as regiões Oeste, No-
roeste, Curitiba e RMC, a responsa-
bilidade é da empresa Impulso.
Fotos: Lucas Rachinski
A exposição, realizada no Cineplus do City Center Outlet Premium, recebeu mais de 22 mil pessoas e agora as visitas
itinerantes às escolas devem levar arte e conscientização a mais de dois mil alunos