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Campo Largo, sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Economia
Cooperlargo inaugurou nova sede própria em Campo Largo
Aconteceu na sexta-feira (20/02), na Vila Fer-
rari, a entrega da nova sede da Cooperlargo – Co-
operativa da Agricultura Familiar de Campo Lar-
go, um importante avanço estrutural para a enti-
dade e marco significativo para o fortalecimento
da agricultura familiar e do desenvolvimento sus-
tentável do município. O evento fez parte das co-
memorações dos 155 anos de emancipação polí-
tica de Campo Largo e reuniu autoridades, bem
como cooperados, para celebrar a conquista lo-
cal.
Fundada em 08 de fevereiro de 2010, a Coo-
perlargo nasceu da união de 21 agricultores fami-
liares com o propósito de fortalecer a produção
rural do município e garantir a comercialização
de alimentos para a merenda escolar, por meio do
Programa Nacional de Alimentação Escolar
(PNAE). Hoje, a cooperativa é referência regio-
nal e conta com 148 cooperados ativos, sendo 131
com CAF ativa, além de 5 colaboradores diretos.
Localizada na Rua Agostinho Mocelin, nº 450,
a nova sede foi construída em uma área pública
de 10 mil m² entregue em comodato, em março
de 2025, pela Secretaria Municipal de Agricultura
e Pecuária (SMAP) para a Cooperlargo. A ação
foi viabilizada por meio de um Termo de Outor-
ga de Concessão de Direito Real de Uso de Bem
Público e, depois disso, a cooperativa assinou com
a agência do Sicredi de Campo Largo uma libera-
ção de crédito no valor de dois milhões e trezen-
tos mil reais, oriunda de uma negociação feita com
o Banco Nacional de Desenvolvimento Econô-
mico e Social (BNDES) e direcionada para a cons-
trução do novo espaço.
AMPLIANDO POSSIBILIDADES
A inauguração da nova sede foi a parte final
de um processo de reestruturação que simboliza
avanço, organização e estrutura para que a Coo-
perativa continue crescendo, ampliando sua capa-
cidade de atendimento e fortalecendo a econo-
mia local. O local conta com um barracão de mil
m² onde são armazenados, classificados e comer-
cializados produtos hortifrutigranjeiros, de onde
eles também são distribuídos nos caminhões da
Cooperlargo para as diversas regiões do município
atendidas pela cooperativa.
“Sonhos estão se materializando, neste mo-
mento, porque nós tivemos muito, muito traba-
lho, fizemos muito esforço para conseguir essa
sede. Depois de conquistar a área, teve o esforço
para conseguir crédito, teve a construção. Mas nada
disso seria válido se não tivéssemos uma boa equi-
pe e um bom apoio e a confiança dos produto-
res”, disse o presidente da Cooperlargo, Acácio
Novak. Já Guilherme Iareke, o vice-presidente da
cooperativa, reforçou o papel de todos os coope-
rados, um trabalho de paciência e, principalmen-
te, de confiabilidade. “Destaco principalmente a
confiança dos produtores. Acho que foi da maior
importância nossos cooperados acreditarem nas
nossas ideias. Agora vamos trabalhar mais ainda
para o futuro, e crescer muito mais”.
Ambos relembraram a trajetória antes desta
sede, quando precisavam emprestar espaços - in-
clusive a Casa do Agricultor, durante muito tem-
po - e depois a mudança para Bateias. “A nova
sede agora permitirá a ampliação da capacidade
operacional, com a possibilidade de assumirmos
mais projetos e estendermos nossa atuação a ou-
tros municípios da Região Metropolitana de Curi-
tiba. Ela representa também o fortalecimento da
agricultura familiar, a geração de renda no campo
e a segurança alimentar para milhares de alunos.
Um grupo que acredita faz acontecer: isso é o co-
operativismo, é como funciona”, complementou
o presidente da cooperativa.
Denise Kendrick, gerente da agência do Sicredi
de Campo Largo, esteve presente no evento e, em
nome do Sicredi (que também é uma cooperati-
va), constatou a felicidade de ter participado. “É
um salto da Cooperlargo que também é para o
município. Tenho certeza que, depois deste gran-
de passo, outros virão para a construção cada vez
mais forte da Cooperlargo. Nós somos um meio,
enquanto correspondentes do BNDES, e que bom
podermos fazer parte. Não faltou empenho, não
faltou esforço e força de vontade para que esse
momento acontecesse, foi toda uma construção
de muitas mãos”.
ESTRUTURA DA COOPERATIVA
Campo Largo conta com 1.884 agricultores
cadastrados na Secretaria de Agricultura e Pecuá-
ria. Já na cooperativa, são 148 agricultores associ-
ados e a previsão da diretoria é que este número
aumente consideravelmente, a partir da estrutura
nova. A instalação da Cooperlargo incentiva e con-
tribui com toda a cadeia produtiva.
Baseada na prática dos princípios do coope-
rativismo, a Cooperlargo busca garantir melhores
condições de negociações aos seus associados. Isso
porque, através da parceria, cresce a possibilidade
de concorrência com os grandes produtores, tor-
nando a inserção no mercado algo mais acessível.
Atualmente, ela reúne produtores da Região Me-
tropolitana e de diversas localidades do municí-
pio como São Silvestre, Três Córregos e Palmital
dos Pretos. Trabalha com mais de 50 tipos de cul-
tivos, incluindo hortaliças, legumes, frutas, tubér-
culos, panificados, temperos, feijão, suco integral
de uva, mel, além de produtos processados como
mandioca e abóbora descascadas.
Em 2023, ela ampliou seu compromisso soci-
al ao incluir formalmente a comunidade quilom-
bola do Palmital dos Pretos e a comunidade indí-
gena do Parque do Mate, fortalecendo a inclusão
produtiva e a geração de renda. Entre suas ações
de apoio está a cessão de uma máquina de emba-
lar a vácuo, em parceria com o Instituto de De-
senvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), am-
pliando a capacidade de processamento das co-
munidades.
Com o crescimento das suas operações, ao
longo dos últimos anos, a cooperativa investiu em
estrutura e logística, contando hoje com três ca-
minhões ¾ com baú, um veículo utilitário e três
contêineres refrigerados de 12 pés. Ainda assim,
em períodos de maior demanda, há necessidade
de contratação de fretes terceirizados para garan-
tir a eficiência das entregas.
SEGURANÇA ALIMENTAR AO
ALCANCE DE TODOS
Atualmente, a cooperativa atende aproxima-
damente 190 escolas, beneficiando mais de 30 mil
alunos e distribuindo mensalmente mais de 60 to-
neladas de alimentos da agricultura familiar. E,
além de Campo Largo, a Cooperlargo também
atende o PNAE do governo estadual, os municí-
pios de Araucária e Campo Magro, o Instituto Fe-
deral (IFPR) Campo Largo, o Programa Compra
Direta Paraná (PAA) e o Programa Mais Meren-
da.
Esse alcance foi lembrado pela nutricionista
Caroline Fontinele Portella, da Secretaria Munici-
pal de Educação, que no evento fez questão de
lembrar que é dali que sai toda a merenda dos
Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs)
e Escolas Municipais de Campo Largo. “Temos
que reconhecer a importância da cooperativa, dos
agricultores, da equipe técnica e de todos que fazem
parte da cadeia que abastece as escolas e as mesas da
população, que alimenta nossas crianças com qualida-
de, dignidade e responsabilidade social”, disse.
Valdirene F. Ligmanoviski, produtora de pon-
can em São Silvestre e cooperada desde 2010, ce-
lebrou o momento de conquista e o trabalho dos
cooperados: “Estávamos lembrando da Casa do
Agricultor com aquela salinha que, às vezes, a gente
ficava para fora, porque só cabiam dois ou três lá
dentro. E hoje temos isso aqui, para nós é um so-
nho realizado, e vai ser bem mais. De onde a gen-
te estava para onde a gente está hoje, é emocio-
nante. É muito legal poder atender as pessoas do
município, a gente faz com gosto, cuida para po-
der entregar para as crianças coisa boa”.
Já o secretário municipal de Agricultura e Pe-
cuária, Bohdan Metchko Filho, destacou como
essa nova sede da Cooperlargo é uma contrapar-
tida preventiva e social que fortalece quem está
campo produzindo, garante renda, alimentação ba-
lanceada e previne a fome, um problema iminen-
te. “Ainda mais se levarmos em conta a redução
da população que vive na zona rural e a projeção
de um maior adensamento nas áreas urbanas, pre-
vista pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimen-
to Econômico e Social (Ipardes) para os próxi-
mos 25 anos no Paraná. Tendo essa visão de mé-
dio e longo prazo, nós da Secretaria de Agricultu-
ra e Pecuária buscamos ter uma atuação de pre-
venção, construindo arranjos intersetoriais com a
cadeia toda, aplicando políticas públicas que nos
auxiliem no abastecimento alimentar da popula-
ção para garantirmos que aconteça de forma ade-
quada e suficiente, agora e futuramente. Não po-
demos deixar isso passar despercebido, e Campo
Largo sai na frente pensando nisso, antecipando
questões que todos os municípios vão ter que li-
dar”, reiterou.
CONQUISTA TAMBÉM DO MUNICÍPIO
Na ocasião, o prefeito ressaltou como essa
conquista faz parte também da melhora na quali-
dade de vida de Campo Largo, um município de
grande extensão, com cinco mil quilômetros de
estradas de chão. E afirmou que a nova unidade é
um passo importante para o fortalecimento da
agricultura familiar de Campo Largo. “Esta entre-
ga reafirma o compromisso com o crescimento
estruturado, com o incentivo à produção local e
com políticas públicas que transformam realida-
des. Nesse mês importante em que completamos
155 anos, temos que honrar nossa história e pre-
cisamos reconhecer os líderes, valorizar quem nos
representa. Não foi tudo fácil, a diretoria da coo-
perativa correu atrás, foi firme, liderou, e o resul-
tado é essa realização. Cooperar é unir forças, e
mesmo que ainda exista um certo preconceito,
aquele pensamento de que quem não trabalha tam-
bém se beneficia, na verdade vemos que o coope-
rativismo beneficia justamente quem trabalha.
Vencer é para quem dedica a vida naquilo que acre-
dita, e é exatamente isso que vemos aqui. Meu
muito obrigada, só vejo vencedores aqui”, disse.
Por fim, o presidente da Câmara Municipal de
Vereadores, Alexandre Guimarães, destacou a cri-
ação e aproximação entre todos os atores da ca-
deia: “A Cooperlargo está construindo uma bela
história e mostrando a importância do cooperati-
vismo, talvez uma das maiores ferramentas de de-
senvolvimento que possuímos. Esse movimento
é um exemplo que Campo Largo está dando”.
AGRICULTURA FAMILIAR
A agricultura familiar é uma modalidade de
produção agrícola em que a maior parte da mão
de obra é realizada por membros de um mesmo
grupo familiar. Ela é desempenhada principalmen-
te em pequenas propriedades, sendo extremamen-
te importante para o país.
PRESENÇAS - Além do prefeito de Campo
Largo, da vice-prefeita Chrystiane Chemin, do se-
cretário municipal de Agricultura e Pecuária, do
presidente da Cooperlargo, Acácio Novak, do
vice-presidente da Cooperlargo, Guilherme Iareke,
da gerente da agência do Sicredi de Campo Lar-
go, estavam presentes o presidente da Câmara Mu-
nicipal de Vereadores e os vereadores André Ga-
bardo, Athos Martinez, João Adão Jaskievicz Ju-
nior (“Polaco Preto”), Rogerio Baumel (“Rogerio
das Tintas”), Paulo Rogério Alves (“Rogério da
Viação”) e Victor Bini.
Também compareceram os secretários muni-
cipais Flavio Barszcz (Infraestrutura Viária), Fa-
biano Andreassa (Desenvolvimento Social e da
Mulher), João Marcos Cavalin Cuba (Desenvolvi-
mento Urbano) e João Aparecido de Freita (Or-
dem Pública), e cooperados de diversas regiões
do município.