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Campo Largo,sexta-feira, 26 de junho de 2026
Geral
Obras de Arte Especiais: as estrelas invisíveis” que mantêm as rodovias em movimento
Pontes, viadutos, passarelas
e túneis são elementos viários
tão comuns para quem trafega
rotineiramente por uma rodovia
que sequer paramos para pen-
sar na importância e, sobretudo,
no quão complexas essas estru-
turas costumam ser. Tecnica-
mente chamadas de Obras de
Arte Especiais (OAEs), elas são
peças fundamentais da infraes-
trutura viária e fazem parte da
rotina de conservação e plane-
jamento de uma concessionária
como a Via Araucária.
A especialista em estruturas,
Helena Szortika Quadros, sim-
plifica o conceito: “Podemos
pensar as OAEs como grandes
elos de ligação. Quando preci-
samos conectar duas estradas e
temos que passar por um rio, um
vale, ou uma montanha, só conse-
guimos fazer isso através de dispo-
sitivos específicos como pontes, vi-
adutos ou túneis. Estas intervenções
são chamadas de Obras de Arte
Especiais”, explica. Além delas,
passarelas de pedestres também
se encaixam na categoria.
Hoje, a Via Araucária cuida
de 125 OAEs localizadas ao lon-
go dos 473 quilômetros de es-
tradas federais e estaduais do
lote 1 das rodovias paranaenses.
Ainda estão previstas a constru-
ção de 85 novas estruturas e de
50 intervenções em obras já exis-
tentes até o fim do contrato de
concessão.
Os investimentos previstos
para a criação e manutenção
destas estruturas são encaradas
como ações estratégicas funda-
mentais para aumentar o confor-
to de motoristas e pedestres e,
sobretudo, para garantir a segu-
rança de quem trafega pelos tre-
chos. Cada ação, seja o estudo
da necessidade e viabilidade da
realização de uma intervenção
do tipo até o monitoramento e pre-
servação das estruturas já construí-
das, é foco do trabalho diário de
dezenas de especialistas.
MONITORAMENTO
PERMANENTE
O trabalho da concessioná-
ria não acaba quando as estru-
turas terminam de ser construí-
das. Anualmente, as 125 OAEs
são inspecionadas pelas equipes
da Via Araucária, e a cada cinco
anos é feita uma análise ainda
mais minuciosa, com os times
indo a campo para observar o
comportamento da obra e iden-
tificar as chamadas “manifesta-
ções patológicas”, termo da en-
genharia que se refere a danos,
sintomas ou marcas visíveis que
indicam a degradação de uma
edificação. “Nós conseguimos,
através dessas inspeções, acom-
panhar a evolução de todos os
possíveis focos de problemas e
corrigi-los muito antes de se tor-
narem efetivamente graves”, ex-
plica Helena.
A tecnologia é uma ferra-
menta fundamental para agregar
mais agilidade a esse processo.
A concessionária utiliza escane-
amento a laser para gerar mo-
delos 3D das obras, permitindo
que a equipe técnica faça parte
da inspeção de forma digital, lo-
calizando a extensão de cada
problema e orientando a ação
adequada de reparo à equipe em
campo. Quando o reforço se faz
necessário, a escolha é por ma-
teriais modernos como a fibra
de carbono, que reforça funda-
ções e pilares sem acrescentar
carga significativa à estrutura.
PENSANDO NO
FUTURO
Para dar conta do crescimen-
to da lista de OAEs programa-
das, a Via Araucária desenvol-
veu um sistema de gestão de ati-
vos que ranqueia as obras e de-
fine prioridades, incluindo a mo-
delagem de cada estrutura em
um tipo de representação digi-
tal inteligente conhecido como
BIM 3D, uma espécie de “gêmeo
digital” da ponte/viaduto/pas-
sarela. “Quanto mais anos tiver-
mos de monitoramento, maior
será nosso banco de dados e
melhor poderemos prever o
comportamento dessas estrutu-
ras. A estratégia se baseia em
aprimorar nossas análises predi-
tivas, presumindo quando pos-
síveis problemas poderão ocor-
rer e agindo com antencedên-
cia”, conta a especialista.
De encontro a este plano, a
concessionária já trabalha pen-
sando nas possíveis ocorrências
climáticas previstas para os pró-
ximos anos: todas as Obras de
Arte Especiais do trecho de con-
cessão têm sido analisadas para
identificar ativos vulneráveis a
eventos extremos, implementan-
do monitoramento em tempo
real e medidas de macrodrena-
gem quando necessário.
Para Helena, a lógica de cui-
dado com as OAEs é simples:
“Não há como garantir uma vida
útil longa a estas estruturas sem
um trabalho de conservação e
monitoramento permanente.
Nosso trabalho é todo pensado
para cumprir essas necessidades
e manter a curva de conservação
acima do mínimo necessário”, com-
pleta, reforçando o compromisso
da Via Araucária de oferecer rodo-
vias mais seguras, modernas e
preparadas para o futuro.
Acidentes de trânsito em Campo Largo: mesmo com
redução em maio, necessidade de atenção permanece
De acordo com dados for-
necidos pelo sistema Boletim de
Acidente de Trânsito Eletrôni-
co Unificado (BATEU), o mu-
nicípio de Campo Largo regis-
trou uma redução significativa
no número de acidentes de trân-
sito em maio de 2026, quando
comparado ao mesmo período
do ano anterior. Durante o mês,
ocorreram 72 acidentes envol-
vendo veículos automotores,
frente às 98 ocorrências regis-
tradas em maio de 2025. Isso
representa uma expressiva dimi-
nuição de 26,53%.
Essa queda reflete direta-
mente o impacto das ações de
fiscalização, prevenção e cons-
cientização promovidas pelo
poder público, com destaque
para a campanha Maio Amare-
lo. Durante todo o mês, a Pre-
feitura de Campo Largo, por
meio da Secretaria Municipal de
Ordem Pública (SMOP), inten-
sificou as ações educativas e de
sensibilização, reforçando que a
segurança viária deve ser um
compromisso diário de todos os
cidadãos.
Os resultados positivos tam-
bém se estendem ao cenário
anual. Em 2025, Campo Largo
registrou uma média de 90,5 aci-
dentes por mês. Já nos primei-
ros cinco meses de 2026, essa
média caiu para 80,6 acidentes.
Também houve uma diminuição
do número de vítimas no trân-
sito: no ano de 2025 a média
mensal foi de 17,83 feridos; em
2026 a média mensal está em
15,4 feridos.
Outro dado importante é a
redução de vítimas fatais: em
2025 foram quatro vítimas fatais
em acidentes entre automóveis
nas ruas fiscalizadas pelo muni-
cípio, portanto, não inclui atro-
pelamentos e acidentes nas vias
estaduais e federais; em 2026,
nas mesmas circunstâncias ana-
lisadas, não houve vítimas fatais.
OS DADOS DE 2026
Contudo, se a redução no
número de acidentes deve ser
celebrada, os números do BA-
TEU nos primeiros cinco me-
ses deste ano indicam que a aten-
ção e o cuidado ainda são ne-
cessários. Segundo o relatório,
os dias em que ocorre a maior
parte dos acidentes no municí-
pio são segundas, quintas e sex-
tas-feiras, com 81, 90 e 82 aci-
dentes, respectivamente.
O sistema também demons-
tra que 18h e 19h são os horári-
os em que acontecem a maioria
dos acidentes, 66 e 61, respecti-
vamente. Também merecem
destaque as 7h (32 acidentes) e
8h (29), bem como as 13h (38)
e 14h (29).
O secretário municipal de
Ordem Pública, João Freita, ana-
lisa o cenário com base em es-
tudos comportamentais de se-
gurança viária.
“A dinâmica dos acidentes
em Campo Largo reflete um
problema nacional: a falha hu-
mana motivada por cansaço,
pressa, desrespeito às leis de
trânsito, falta de cordialidade,
desatenção, a falta de planeja-
mento dos fatos externos”, afir-
ma.
“A segunda-feira é marcada
pela readaptação ao ritmo inten-
so da semana (escola dos filhos,
trabalho, compromissos, etc.)
após o repouso, gerando uma
desatenção perigosa”, explica.
“Já nas quintas e sextas-feiras,
enfrentamos o efeito acumula-
tivo da fadiga física e mental, ali-
ados a demais fatores e compro-
missos do final de semana. Es-
tudos demonstram que o can-
saço reduz os reflexos do mo-
torista de forma semelhante à in-
gestão de álcool. Quando soma-
mos essa exaustão ao maior vo-
lume de veículos nas ruas, à pres-
sa de chegar em casa e, infeliz-
mente, ao consumo de bebidas
alcoólicas, criamos o cenário
perfeito para tragédias,” conclui.
Compreender como os aci-
dentes acontecem é o primeiro
passo para evitá-los. Os dados
de 2026 mapearam os três prin-
cipais tipos de colisões em Cam-
po Largo, revelando que a gran-
de maioria poderia ser evitada
com atitudes simples de direção
defensiva:
Abalroamento lateral (161
casos, ou 32,5%) - Desrespeito
à via preferencial, avanço de se-
máforo vermelho e pressa em
cruzamentos;
Colisão traseira (97 casos, ou
19,6%) - Falta de distância se-
gura e distração ao volante (uso
de celular, envio de mensagens
ou ajuste de rádio);
Colisão frontal (65 casos, ou
13,1%) - Ultrapassagens proibi-
das ou mal calculadas, excesso
de velocidade, fadiga extrema e
condução sob efeito de álcool.
Para João Freita, os números
exigem uma reflexão profunda
da sociedade sobre o papel de
cada indivíduo no trânsito.
“No Brasil, a cada 15 minu-
tos uma pessoa perde a vida no
trânsito. Em Campo Largo, es-
tamos trabalhando incansavel-
mente com fiscalização, sinaliza-
ção e campanhas educativas para
proteger nossos cidadãos. Os
dados provam que essas políti-
cas públicas funcionam, mas o
poder público não pode estar no
carro com o motorista”, enfati-
za. “Mais de 90% dos acidentes
são causados por falhas huma-
nas. Um abalroamento lateral
não é um ‘acidente’, é o resulta-
do de alguém que decidiu igno-
rar as normas de trânsito; uma
colisão traseira é o preço que se
paga por uma desatenção, uma
olhada no celular em vez da rua.
O trabalho da Prefeitura não vai
parar, mas a verdadeira seguran-
ça viária só será alcançada quan-
do cada motorista entender que
o veículo é uma responsabilida-
de social”.
O secretário reforça que
“respeitar a sinalização e as leis
de trânsito não é apenas evitar
multas, é preservar a própria
vida e a vida de todos que com-
partilham o mesmo espaço.”