Seu dinheiro por Adriano Koehler “O último a sair que apague a luz do aeroporto!”

Postado por admin 11/12/2024 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

 

“O último a sair que apague a luz do aeroporto!”

Ivan Lessa, adaptando um ditado português

 

A cada dia tem sido mais frequentes comentários de pessoas assustadas com o cenário econômico local. Ainda que o desemprego tenha baixado, a inflação esteja relativamente contida e o PIB continue crescendo, as notícias sobre contas públicas descontroladas, altas taxas de juros e inadimplência tomam conta dos jornais e sites, gerando um clima de desconfiança. Para quem investe na bolsa, a sensação é de raiva mesmo. Enquanto o Ibovespa, o principal índice de ações brasileiro, só baixa, as bolsas americanas renovam recorde sobre recorde. E o que dizer das cotações das criptomoedas? É nessa hora que você se pergunta se vale a pena continuar por aqui.

Antes que você comece a ver como está a situação do seu passaporte italiano ou que país está aceitando imigrantes, que tal mandar seu dinheiro antes para ele aproveitar todo esse momento? Hoje em dia, com a tecnologia, há diversas maneiras de você investir no estrangeiro sem ter que sair do Brasil, com segurança e sem burocracia.

O primeiro investimento que pode lhe vir à mente é a compra de moeda estrangeira. Nas épocas da inflação alta, quase todo brasileiro que tinha condições tinha também alguns dólares guardados em casa, como maneira de se proteger da inflação brasileira. A compra de papel moeda estrangeiro (dólar e euro, principalmente) é fácil, basta você ter um documento pessoal e ir a uma casa de câmbio. Algumas delas oferecem a entrega em domicílio. Por outro lado, por ser um bem físico, ele pode ser roubado ou avariado (em caso de incêndio ou enchente). E células muito antigas perdem o seu poder de circulação no exterior, podendo ser utilizadas apenas no país emissor (tente trocar uma nota de 100 dólares emitida antes de 2000 em uma casa de câmbio para ver isso). Para contornar esse problema, há diversos produtos no mercado que oferecem contas bancárias internacionais (Wise, C6, XP, BTG etc), nas quais você pode depositar várias moedas (dólar, euro, libra esterlina, iene etc). Por fim, lembre-se que esses países também tem inflação, ou seja, só comprar o papel moeda não te protege.

Um segundo investimento em papéis estrangeiros fácil de fazer é a compra de BDRs (brazilian depositary receipts) na B3, a bolsa brasileira. O BDR é um certificado negociado aqui no Brasil em reais que representa ações emitidas por empresas estrangeiras, como por exemplo Apple, Nvidia, Disney, dentre as 924 disponíveis hoje. Há instituições patrocinadoras tanto do lado da origem da empresa, que é responsável por comprar as ações, quanto do lado brasileiro, onde a instituição faz o registro do certificado na B3. Nos BDRs patrocinados, a empresa contrata a instituição patrocinadora por acreditar que o mercado brasileiro oferece oportunidades de captação interessantes. Nos BDRs não patrocinados, a empresa não participa da emissão do certificado, mas a instituição patrocinadora tem por obrigação manter as ações que está vendendo no Brasil em custódia. Os BDRs não patrocinados são a maioria dos negociados na bolsa brasileira. Para comprar um BDR, basta ter uma conta em uma corretora de valores.

Mas o universo de investimentos no estrangeiro pode ser maior. Várias corretoras disponibilizam para seus clientes uma conta investimento internacional. Com essa conta, você pode operar diretamente na bolsa americana, por exemplo (a opção mais comum disponível), comprar títulos de renda fixa de empresas (chamados de bonds), títulos do tesouro americano (os treasuries), títulos da dívida brasileira emitidos no exterior e pode ter acesso a fundos de investimento estrangeiros. Em todos os casos, você deposita seus reais na conta aqui no Brasil, faz a transferência e paga o câmbio para a moeda de destino (dólares, euro, o que for) e investe lá, pelo seu aplicativo ou com o auxílio do seu assessor de investimentos.

E para quem tem bastante dinheiro mesmo, é possível constituir uma empresa offshore, em que o domicílio fiscal dessa empresa é em outro país, sendo os controladores brasileiros, por exemplo. As Ilhas Cayman, Ilhas Mann, Ilhas Virgens Britânicas são exemplos de países que tem legislações bem amistosas para pessoas que querem constituir essas empresas e tentar reduzir seus custos tributários no Brasil. Por fim, não se esqueça de que você pode comprar um imóvel no exterior. Quantos brasileiros não compraram um apartamento em Miami nos últimos 10 anos? Talvez você conheça alguém.

Portanto, se você anda desanimado com a situação brasileira, considere mandar primeiro o seu dinheiro em uma viagem de exploração ao exterior. Contate o seu assessor de investimentos, avalie com ele as possibilidades mais adequadas ao seu perfil de investidor, e inicie a movimentação. Há muitas oportunidades que podem ser exploradas de maneira segura. Mas vale um alerta final: lá como cá, não importa onde seja lá, o leão está de olho! Por isso, procure assessoria para não ficar devendo imposto em lugar algum.

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos

(adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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