
Seu dinheiro por Adriano Koehler
“Tudo fica mais fácil quando se tem um norte a seguir.”
Raquel Parente

Para surpresa de ninguém, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil aumentou a taxa de juros básica da economia brasileira, a taxa Selic, na última reunião de 2024, encerrada em 11/12. Alguns ficaram surpresos com o tamanho do aumento, de um ponto percentual, que fez a taxa chegar a 12,25% ao ano. Outros talvez tenham ficado surpresos com o comunicado divulgado, em que o Copom afirma que fará mais dois aumentos nas próximas reuniões, provavelmente de 1 ponto em cada reunião, o que deverá levar a taxa para 14,25% em março. Noves fora o economês, o que isso significa para você e seus investimentos?
Em primeiro lugar, deve-se levar em consideração que o Copom fez o que o governo federal não anda fazendo, que é trazer credibilidade e previsibilidade para o cenário econômico. As contas públicas não estão reguladas e o pacote fiscal enviado pelo executivo ao Congresso foi tímido. A inflação está persistentemente fora da meta, muito por conta dos gastos públicos. Isso pressiona o dólar para cima, que por sua vez mantém a inflação alta. A reforma tributária finalmente parece ter andado no Congresso, mas com os interesses paroquiais atrapalhando a sua efetividade, como sempre. Por tudo isso, haver pelo menos uma instituição com o pé na realidade ajuda todo mundo a se organizar.
O primeiro reflexo da alta de juros (tanto a efetivada como a prevista) é que isso aumentará o custo de compras a prazo e financiamentos, o que pode reduzir a atividade econômica. Em segundo lugar, obrigará o governo a trabalhar seriamente em uma política de contenção dos gastos públicos, pois não dá para ficar culpando o “mercado” pelas taxas de juros, quando o “mercado” apenas reage ao que o governo faz. E se o crescimento econômico é desejado, o governo terá que fazer sua parte para o Copom poder parar as altas nas taxas de juros antes e fomentar o crescimento da atividade econômica.
Do lado dos seus investimentos, voltam à posição de destaque nas vitrines os papéis pós fixados atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), um indicador que acompanha a Selic. Assim, CDBs, letras de crédito agrícola, imobiliário e de desenvolvimento atreladas ao CDI terão bons rendimentos no curto prazo (até um ano). Se você quiser um pouco mais de risco, pode buscar debêntures ou certificados de recebíveis que propõe pagamentos de juros vinculados ao CDI. E para quem tem foco no longo prazo e consegue segurar a ansiedade de ver o aplicativo do banco ou da corretora todo dia, os títulos atrelados à inflação continuam sendo muito bons, em especial o Tesouro IPCA+.
Para quem procura uma alternativa à poupança com segurança com liquidez, o Tesouro Selic (título do Tesouro direto) é a melhor opção, pois paga a taxa Selic mais um juro anual. Por outro lado, títulos pré-fixados (aqueles em que a remuneração é fixa) não são tão recomendados devido às incertezas da economia. No dia 12, por exemplo, o Tesouro Prefixado 2027 está oferecendo uma remuneração anual de 14,56%. Está acima da taxa Selic prevista para março, mas e se forem necessários novos aumentos da Selic de abril em diante?
Quem fica de lado no momento são os papéis de renda variável. Ações e fundos imobiliários, mesmo os que pagam dividendos, têm suas cotações afetadas pelas expectativas dos investidores. Se a renda fixa garante rendimentos muito próximos a 1% ao mês, por que arriscar dinheiro em algo que pode subir ou descer? Para quem pensa no curto prazo, melhor fugir da bolsa de valores. Mas para quem pensa no médio e longo prazo, essa é uma excelente oportunidade para procurar ativos com fundamentos sólidos e que pagam dividendos regularmente, para montar uma carteira de ações ou de fundos imobiliários a um bom preço e lucrar lá à frente.
Como sempre, independente do mercado, há sempre opções disponíveis para o investidor. Não cansaremos de repetir que o primeiro passo é definir o seu perfil para descobrir o seu apetite a risco, estabelecer metas e procurar informações ou um profissional da área para tomar suas decisões.
Bons investimentos!
Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos
(adriano@solutioinvestimentos.com.br)
Leave a Comment