Seu dinheiro A bolsa de valores é um cassino?

Postado por admin 31/03/2025 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro

A bolsa de valores é um cassino?

 

 

Muitas pessoas deixam de investir nas bolsas de valores por acharem que o seu mecanismo de funcionamento é igual um cassino. Você escolhe uma ação (ou um número na roleta) e quando o pregão abre (a bola é solta), você torce para que essa ação suba (o número escolhido seja o sorteado). Se subir (a bola parar na casa do seu número), você ganhou dinheiro, sorte grande! Do contrário, que azar, perda na certa. No entanto, longe de ser um cassino, a bolsa de valores é uma ferramenta sofisticada do mercado de investimentos e, para aqueles que se informam e pensam a longo prazo, é uma das melhores maneiras de fazer o seu capital se multiplicar.

Em resumo, a bolsa de valores é um mercado onde são vendidas ações de empresas. As ações, por sua vez, são cotas (pedaços) de uma empresa qualquer. Assim, ao comprar uma ação de uma determinada empresa, você se torna sócio (acionista) dela, com direitos e deveres. Entre os principais direitos, está o de receber dividendos pelos lucros obtidos da empresa. Entre os deveres, votar nas assembleias, acompanhar os balanços e perguntar à diretoria o que está acontecendo.

 

Isso acontece em qualquer empresa da qual você se torna sócio, seja ela com ações negociadas na bolsa ou não. A diferença principal é que, para estar na bolsa, a empresa deve cumprir uma série de obrigações de transparência que podem custar mais e que empresas menores podem não ter condições de pagar, por isso as bolsas contam em sua maioria com grandes companhias. A transparência é exigida para garantir que os investidores tomem decisões racionais na hora de comprar uma ação: saber onde a empresa está investindo, quais as perspectivas de lucro, quais os riscos da operação, endividamento, créditos a receber etc. Claro que isso não elimina todos os riscos (vide o caso das Lojas Americanas), mas minimiza.

 

Isto posto, qual a lógica por detrás das oscilações das ações nas bolsas de valores? A maior parte dos analistas baseia-se na avaliação do que aconteceu e nas perspectivas do que acontecerá. A parte do que aconteceu é a mais simples, pois os números já existem, o resultado já saiu e ali pode-se ver como determinada empresa se comportou em um cenário de alta inflação, por exemplo, ou de escassez de crédito. Com essa avaliação em mãos, os analistas pegam as projeções da economia para os próximos meses e anos – taxa de juros, inflação, cenário político e econômico interno e externo, perspectivas de evolução do mercado de atuação daquela empresa – e veem se a empresa está preparada para continuar crescendo nessa situação. Se sim, eles produzem relatórios que dizem “compra do papel”, ou seja, compre que a ação vai subir. Se não, dizem “venda do papel”, melhor por o dinheiro no bolso agora que ver seu capital diminuir. Se não há veredito, vem escrito “manter”. Assim, uma série de análises lógicas embasa os relatórios dos analistas.

 

A hora da verdade sempre aparece na divulgação dos balanços trimestrais (obrigação das empresas listadas em bolsa). Em um exemplo prático, no dia 26/02/2025 a Petrobras divulgou um balanço horrível, com um prejuízo de R$ 17 bilhões no quatro trimestre de 2024, contrário à perspectiva de lucro que havia entre os analistas. A redução dos dividendos a serem pagos também prejudicou a avaliação da empresa. O resultado é que as ações da Petrobras caíram no dia 27, seja na bolsa brasileira seja no mercado americano. A reação é natural, pois ninguém quer ser sócio de uma empresa que dá prejuízo, ainda mais se houver o temor de que haja influência política na tomada das decisões da companhia. Haverá investidores, porém, que verão essa queda como oportuna e um ótimo momento para comprar ações de uma das maiores companhias de petróleo do mundo a um preço descontado e, lá na frente, usufruir disso. É uma aposta? Não, é uma avaliação com base em dados feita por eles. Há outros que avaliarão diferente, e assim segue a bolsa e a vida.

 

No entanto, o mundo costuma nos pregar peças, e o imponderável está sempre rondando. E é nessas horas que o investidor que não conhece bem o funcionamento das bolsas acha que ali tem um cassino. A pandemia da Covid-19, por exemplo, não existia no radar de ninguém. A primeira reação das bolsas foi catastrófica, com quedas generalizadas pelo mundo, mais por conta das expectativas que toda a economia global sofresse no médio prazo que por conta dos prejuízos imediatos da redução da atividade econômica advinda dos lockdowns. Um tempo depois, porém, todas as bolsas se recuperaram. Outra queda histórica aconteceu após os atentados terroristas contras as torres gêmeas em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Outra após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Enfim, há vários momentos históricos não previstos que afetam as bolsas mundo afora. Mas quem teve paciência e tempo e não vendeu suas ações nos momentos de baixa (ou, para quem tem mais apetite a risco, comprou ações nesse momento) viu seu capital se multiplicar.

 

Ah, e sempre vale lembrar que você só tem prejuízo com ações se as vender abaixo do preço pelo qual você as comprou. Por exemplo, se você adquiriu 1% das ações de uma companhia a R$ 10.000, se essas ações estiverem cotadas a R$ 9.000, seu capital escriturado diminuiu 10%, mas você continua dono dos mesmos 1% da empresa. E só terá o prejuízo de R$ 1.000 se vender essas ações. E se conseguir aguardar, a empresa continuará pagando dividendos e você poderá vender essas ações mais à frente, com lucro.

 

Bolsa de valores é um exercício de paciência e visão de longo prazo. E é necessário estudar para poder fazer boas escolhas ao longo do caminho. Com método e informação, você verá que um dos caminhos da prosperidade passa por ela.

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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