Seu dinheiro por Adriano Koehler Biruta no aeroporto!

Postado por admin 08/04/2025 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro  por Adriano Koehler

Biruta no aeroporto!

 

Enquanto o Brasil pulou o (ou descansou no) Carnaval, todos os mercados financeiros pelo mundo tremeram. A cada anúncio do presidente Donald Trump sobre tarifas, em especial sobre as importações americanas vindas do México, do Canadá e da China, as bolsas desciam. E se começavam os boatos de que talvez as tarifas não sejam tão altas, as bolsas subiam. Na quarta-feira de Cinzas, a bolsa tem uma curva bem acentuada no vermelho próximo ao meio dia, seguida de uma subida moderada. A cotação das criptomoedas também parece insuflada pelas falas do presidente norte-americano. Para o investidor, a pergunta que está posta é: existe alguma lógica nesse procedimento?

Já foi dito aqui que a economia é uma excelente ciência social para se prever o passado, é uma péssima para projetar o futuro. Isso deve-se ao fato de que a economia também é baseada em percepções. Se os investidores acreditam que uma empresa irá se valorizar, pois o último balanço publicado por ela foi muito bom, com lucros, dívida sustentável, aumento de vendas, redução de custos etc e tal, as ações irão subir. Veja, os investidores acreditam que o preço das ações subirá, não que isso realmente irá acontecer. E se não acontecer o que foi esperado, seja por questões internas seja por externas, a cotação dessa empresa cairá.

 

Claro que há vários indicadores econômicos que permitem gerar um mínimo de previsibilidade. Gastos públicos ou dívida pública, por exemplo. Se a dívida de um país estiver em uma trajetória de queda, há a expectativa de que os juros desse país caiam porque a inflação também cairá, aumentando a atratividade das bolsas de valores. Mas se os gastos estão fora de controle, a tendência é de uma inflação mais alta que o desejado e, por isso, menos dinheiro para a renda variável. Logo, cada fala do Ministro da Fazenda ou do Presidente da República sobre gastos públicos afeta a percepção do mercado e a direção dos juros futuros (a projeção que o mercado faz de quanto estará a taxa de juros no Brasil no futuro).

 

O caso de Trump mostra um desafio a mais para o investidor. Se no cenário nacional ele já está acostumado ao que o presidente Luís Inácio Lula da Silva diz (sempre a favor de mais gastos) e ao que o Ministro da Fazenda Fernando Haddad diz (mais controle de gastos), no internacional o que está em jogo é a imprevisibilidade. Na semana passada, antes da reunião com o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenski e do bate-boca transmitido para o mundo todo, Trump deu três declarações diferentes sobre a guerra Ucrânia-Rússia, e cada declaração mexeu nos mercados de maneiras diferentes.

 

Outro ponto muito frequente do discurso de Trump diz respeito às tarifas extras que ele quer impor ao mundo. A cada anúncio de Trump, a economia de verdade dos norte-americanos – aquela que ainda está preocupada com a inflação dos alimentos e das moradias – treme de medo. Tarifas de 25% nos produtos canadenses ou mexicanos, por exemplo, prejudicam inúmeras empresas que apostaram no livre comércio entre as três nações, iniciado pelo acordo NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) e ratificado no USMCA (Acordo EUA México Canadá), assinado por ninguém menos que Trump. Sim, ele mesmo, que hoje está negando o acordo que assinou em 2018. Mas, devido às evidências de que a manutenção das tarifas provocará inflação, um recuo (ou uma saída honrosa) pode vir. E as bolsas mudam de direção como uma biruta no aeroporto em dia de ventos cruzados.

 

Nenhum investidor gosta dessas incertezas, pois elas prejudicam uma avaliação mais correta do cenário para a alocação de seus recursos. Nem mesmo a Renda Fixa brasileira escapa dessa indefinição, pois taxas que hoje parecem muito atrativas podem não o ser amanhã. Investir na bolsa, então, é tarefa para quem tem estômago e paciência, bastante paciência. E outras ferramentas mais elaboradas (Certificados de Operações Estruturadas, Hedge, renda variável no exterior, títulos do Tesouro Americano etc.) ficam ainda menos atrativas devido à volatilidade dos mercados.

 

Tome cuidado com os ventos antes de decolar, e procure orientação para montar uma carteira com risco diversificado, de modo a minimizar a gangorra dos mercados.

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos

(adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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