Seu dinheiro por Adriano Koehler A ética nos investimentos

Postado por admin 14/04/2025 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

A ética nos investimentos

 

 

Para algumas pessoas, o dinheiro está diretamente relacionado a algo sujo, anti-ético ou pecaminoso. Afinal, a avareza é um dos pecados capitais. Outro pecado, a gula, eventualmente pode ser associada à vontade de ter sempre mais de algo ou alguma coisa. Mas será que existe alguma maneira de investir de maneira ética, em que você tenha lucro para ter uma vida mais confortável, sem se achar um pecador por estar pensando em dinheiro? A boa notícia é que existe sim.

O investimento ético é uma forma de investir o seu dinheiro em empresas que se preocupam em serem socialmente e ambientalmente responsáveis. Essas empresas, que obviamente almejam o lucro, também avaliam o impacto de suas operações na sociedade e no planeta. E isso não é política, mas sim uma maneira de ver o mundo e de como uma instituição pode atuar para deixá-lo melhor.

 

Do lado do social, uma empresa ética estaria teoricamente mais preocupada em ter relações trabalhistas saudáveis, em fazer negociações ganha-ganha com seus clientes e fornecedores e em ter algum projeto social (quando o tamanho da empresa permite) que faça diferença na comunidade onde a empresa atua. Do lado do ambiental, a resposta é mais simples. São empresas que procuram ter operações não-poluentes, que procuram compensar a sua emissão de gás carbônico, que apoiam iniciativas de preservação e recuperação do meio ambiente e atua constantemente na melhoria de seus processos de produção para ser mais eficiente. O investidor também pode evitar empresas que atuam em setores dos quais ele não gosta, normalmente empresas que vendem armas, ou bebidas alcoólicas, ou cigarro ou empresas de combustível fóssil, por exemplo.

 

Alguns analistas dizem que empresas que empresas preocupadas com a ética tendem a ter mais longevidade. Isso porque os funcionários, ao serem respeitados, são mais produtivos e há menos rotatividade. Os fornecedores podem ter relações mais longas com a empresa, e estabilidade é importante na qualidade final de qualquer produto. E clientes de empresas éticas tendem a ser mais fiéis, o que pode significar faturamento consistente. Claro, isso são tendências, não certezas. Porém, empresas éticas aparecem mais na mídia e normalmente associadas a coisas boas, e a imagem positiva serve como um marketing mais barato que a publicidade tradicional.

 

Há basicamente quatro tipos de investimento ético. O primeiro é o ESG, uma sigla que veio ganhando força nos últimos anos e que significa Ambiente (do inglês environment), Social e Governança. Empresas que adotam práticas ESG incluem em seus balanços diversos indicadores que medem esses três aspectos e com isso podem mostrar à sociedade o que fazem para melhorar sua atuação. O segundo é o investimento socialmente responsável, em que o investidor usa de critérios pessoais baseados em seus valores e exclui empresas que não se adequam a eles. A terceira possibilidade é o investimento de impacto, em que se aloca dinheiro em alguma empresa ou setor que procura oferecer uma solução inovadora para um problema urgente, como por exemplo a redução da pobreza, enquanto busca lucros. Por fim, os investimentos temáticos envolvem uma abordagem focada para tratar de uma questão específica, como por exemplo educação. Todos esses investimentos possuem métricas próprias, além das já conhecidas de balanços, lucros, dividendos etc, que auxiliam na análise da efetividade dessas práticas.

 

No Brasil, a B3 tem vários índices dedicado a empresas que aderem a critérios éticos e de sustentabilidade em suas operações. O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) mede as empresas que seguem os princípios ESG. O Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC) é composto por empresas com as melhores práticas de gestão de transparência. No Índice Carbono Eficiente (ICO2) estão empresas que buscam zerar ou até mesmo ter emissões negativas de gás carbônico.

 

No fim das contas, se você acredita que o como a empresa faz é tão importante quanto o que a empresa faz, existem opções para os seus investimentos. Como sempre, vale a regra de você escolher sua estratégia e diversificar seu portfólio, depois de você definir seus critérios éticos.

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos

(adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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