Seu dinheiro por Adriano Koehler Sopa de letrinhas

Postado por admin 15/04/2025 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por  Adriano Koehler

 

Sopa de letrinhas

 

 

 

 

Uma das dificuldades do investidor é entender a que se referem as siglas que quase sempre vêm atreladas aos investimentos que ele está avaliando. IPCA+, CDI, Selic, CDB etc e tal se tornam uma sopa de letrinhas que fica difícil para ele avaliar qual o melhor investimento disponível. No entanto, é possível entender minimamente o que significam essas siglas e como elas importam para fazer o seu dinheiro render.

 

Vamos começar pelo não-investimento preferido dos brasileiros que acham que poupança é investimento (e como já foi dito aqui, não é). A poupança no Brasil é remunerada pela Taxa Referencial (a TR). Essa é uma taxa de juros de referência controlada pelo Banco Central e que determina a rentabilidade da poupança. Mas essa TR é normalmente baixa. Assim, um investimento que tem seus rendimentos regulados pela TR perde de todos os outros. Por isso também que o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) é uma poupança forçada que remunera o investidor mal, pois o saldo do fundo é corrigido pela TR mais um percentual. Por fim, títulos de capitalização são ainda piores (e não são investimentos, como já dito anteriormente), pois eles remuneram apenas a TR, sem outra correção adicionada. Logo, se houver na prateleira um investimento remunerado pela TR, fuja!

 

Os investimentos mais populares são os que podem ser adquiridos em qualquer banco e cooperativa bancária, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), os Recibos de Depósitos Bancários (RDB, igual ao CDB mas oferecido por cooperativas), as Letras de Crédito Agrícola (LCAs) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). Normalmente, esses produtos têm três formas de calcular os juros para você. Elas podem oferecer um juro indexado ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que é a taxa de juros utilizada nos empréstimos entre os bancos, mais um percentual. O emissor do papel pode oferecer algo como CDI+0,5% ao mês, por exemplo, ou 105% do CDI, pode oferecer IPCA mais um percentual ou pode prefixar a taxa.

 

De todos, o mais arriscado é o pré-fixado, porque como vivemos no Brasil, se houver uma mudança brusca no cenário econômico, uma taxa que parece boa hoje amanhã pode não estar mais tão boa. No caso de vinculações ao CDI e IPCA, elas seguirão o ritmo da economia. Pois se a inflação subir, seu título indexado à inflação renderá mais. E como o Banco Central terá que subir a taxa Selic, o título vinculado à CDI também subirá. Por isso eles podem ser mais indicados se você deseja mais segurança e menos emoções. Ah, e taxa Selic vem do nome de Sistema Especial de Liquidação e Custódia e é a taxa básica de juros da economia brasileira.

 

No Tesouro Direto, pode haver alguma confusão entre os nomes que o Tesouro Nacional usa para os títulos e os que aparecem no aplicativo da sua corretora. Se no seu aplicativo está LTN (Letra do Tesouro Nacional) significa que você comprou um título pré-fixado. Outro título pré-fixado é o NTN – F (Nota do Tesouro Nacional), que paga juros semestrais. Já uma Letra Financeira do Tesouro (LFT) é um título que remunera a Selic mais um percentual, e é uma das principais alternativas para a poupança. O papel Tesouro IPCA+ tem a sigla NTN – B (e IPCA quer dizer Índice de Preços ao Consumidor Amplo). E se tiver escrito Principal, é o papel que não paga juros semestrais. Por fim, existe as NTN -C, que não são mais negociadas e eram indexadas ao IPGM (Índice Geral de Preços Mercado), um dos índices de inflação do Brasil.

 

Ao fim e ao cabo, a sopa de letrinhas parece assustar e confundir, mas ela é simples de administrar. Talvez outros detalhes das diversas aplicações sejam ainda mais importantes que essas siglas. Condições como prazos para resgate, carência, liquidez, marcação a mercado influenciam muito o rendimento que você terá ao aplicar o seu dinheiro. E se você não está seguro sobre onde investir, procure sempre um profissional para lhe auxiliar.

 

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos

(adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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