
Seu dinheiro por Adriano Koehler
“Tudo muda o tempo todo no mundo” , Lulu Santos

No mundo dos negócios, nada é para sempre, ainda que o ouro possa ser a exceção a essa regra. Mas descontado o metal precioso, é preciso estar sempre atento às mudanças pelas quais os agentes econômicos passam ao longo do tempo para que os seus investimentos não fiquem parados em um limbo, ou pior, que virem pó. Acompanhar o dia-a-dia das empresas nas quais você investe, seja pessoalmente seja através de um profissional ou corretora que faz isso para você, é fundamental.
Veja um exemplo simples. Em 1968 o índice Bovespa (a antiga Bolsa de Valores de São Paulo) era composto por 27 empresas. Dessas empresas, apenas nove continuam existindo, enquanto as demais viraram saudades para alguns. Quem se lembra do Banco Comercial do Estado, da Companhia Docas de Santos, da Kibon (essa marca existe, mas não mais como empresa listada em bolsa). E das nove que sobraram, uma é a Lojas Americanas, que deu no que deu. Pense que, em 1994, uma das estrelas da bolsa era a Casa Anglo Brasileira, mais conhecida na praça como Mappin. Se você não estivesse acompanhando o mercado e feito seus investimentos apenas em Mappin, você teria perdido tudo.
Mais recente, podemos citar também o conglomerado X criado por Eike Batista. A estrela principal era a OGX, de petróleo e gás. Depois tinha a MPX, de energia, LLX, de logística, OSX, de construção naval, a CCX, de mineração de carvão, SIX, de tecnologia, a REX, de imóveis e a IMX, de esportes. Quem investiu nessas empresas no início e saiu dos investimentos logo pode colocar algum dinheiro no bolso. Mas quem insistiu em permanecer com os papéis no bolso hoje não tem nada. Era possível prever isso lá em 2010? Talvez não, mas uma análise atenta dos papéis das empresas mostraria que havia muitos furos no seu planejamento e que eram ações a serem evitadas.
A história nos traz muitos outros exemplos, alguns que um acompanhamento atento da economia poderia ter minimizado os efeitos no bolso do investidor. Em 2007 e 2008, por exemplo, houve uma crise global que começou nos Estados Unidos. Conhecida como crise do subprime, uma espécie de crédito hipotecário de alto risco, ela começou com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, à época um dos mais tradicionais dos Estados Unidos. Alguns analistas atentos tinham emitido seus sinais de alerta sobre o acúmulo de hipotecas de alto risco nos balanços. Mas como todo o mercado estava eufórico com altas seguidas das bolsas, poucos os escutaram. E deu no que deu. O mundo levou alguns anos (e muito, mas muito, dinheiro público) para se recuperar do baque.
E mesmo quando acontece algo não previsto, como a pandemia da Covid-19, por exemplo, é possível ao investidor ágil e atendo reduzir suas perdas. Toda crise traz algumas oportunidades de investimento, e a observação atenta do cenário mostrará quais as saídas possíveis para o seu dinheiro. Nessas horas, vale a lição do falecido narrador esportivo Sílvio Luiz: “Olho no lance”!
Bons investimentos!
Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)
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