Seu dinheiro por Adriano Koehler

Postado por admin 29/12/2025 0 Comentários Economia,

Seu dinheiro por Adriano Koehler

 

Uma cota para chamar de minha

 

 

 

Imagine a seguinte situação. Você está namorando e pretende se casar daqui a cinco anos. Como diz o velho ditado, quem casa quer casa. E com cinco anos dá para fazer um bom planejamento financeiro. Mas como viabilizar essa aquisição? A não ser que você já tenha capital acumulado que dê conta de pagar um imóvel, ou que tenha uma disciplina financeira ferrenha que lhe permitirá poupar todo mês uma quantia para dali a cinco anos comprar esse imóvel, você irá recorrer a um financiamento ou a um consórcio. Mas qual dos dois é melhor?

 

Se os juros estão altos, com certeza o consórcio será melhor porque no consórcio não existe a cobrança de juros sobre o capital, ao contrário do que acontece com os financiamentos (seja bancários seja direto da construtora). E como essa “mágica” de não cobrar juros é possível? O consórcio basicamente é a reunião de um grupo de pessoas que tem o mesmo interesse, no caso, comprar um imóvel (mas pode ser um carro, ou uma viagem, ou a reforma da casa, dentre outros desejos possíveis). Essas pessoas decidem criar um fundo comum com um determinado número de cotas em que todos aportarão um determinado valor mensal, durante um determinado período.

 

Obviamente, falando assim parece fácil, como se fosse uma compra coletiva (alguém aí se lembra do Peixe Urbano?). Mas como estamos falando de grandes valores, entram em cena as administradoras de consórcios, que são os organizadores e facilitadores desses grupos. A administradora irá criar os grupos de consórcio, estabelecer o valor da carta de cada grupo (R$ 200.000 para um imóvel, por exemplo), dizer quantas cotas serão emitidas, colocar as cotas à venda, receber as cotas e prestar contas a todos. O valor mensal a ser pago é fixado no início e corrigido anualmente pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC), bem como o valor da carta final. A mensalidade também incluirá a taxa de administração – a remuneração da administradora -que pode variar entre 15% e 25% do valor da carta, divididos pelo número de meses de duração do grupo, e pode incluir um valor de seguro e de fundo de reserva.

 

E como o dinheiro que você coloca todo mês volta para a sua mão? Os consórcios realizam mensalmente o sorteio de uma cota, que receberá o valor total da carta quando sorteada. Adicionalmente, os consorciados podem dar lances, isto é, antecipar o pagamento de um determinado número de mensalidades. Será contemplado (ou serão contemplados, depende das regras de cada grupo) aquele que oferecer o lance maior. E se você não for sorteado nem der lances, ao final do grupo você receberá todo o valor pago (deduzida a taxa de administração) corrigido pelo INCC e então poderá usar o dinheiro para comprar seu imóvel. Ah, não esqueçamos que, se você for sorteado e mudou de ideia quanto à compra do bem, seis meses depois de contemplado você pode pedir o dinheiro pago de volta, é uma regra de todos os consórcios, que são regulados pelo Banco Central do Brasil.

 

O que é importante ver na hora de se decidir em comprar uma cota de qualquer consórcio? O mais importante é não pode ter pressa de comprar o imóvel (ou outro bem). Isso porque não é possível saber quando você será sorteado. Se você for sorteado em até 12 meses após a formação do grupo, você levou a sorte grande e pode usar a carta de contemplação para a compra de um imóvel, ou sua entrada, ou reforma. Também é ver quais as garantias de crédito que a administradora pedirá a você para garantir que você continuará pagando as parcelas do consórcio após sua contemplação. Eventualmente, você pode ser sorteado mas não poderá resgatar a carta, se não apresentar essas garantias. Preste atenção também no desenvolvimento do mercado imobiliário de sua região. Eventualmente, uma carta de consórcio de R$ 300 mil hoje, que poderia comprar uma casa legal onde você deseja, amanhã não será suficiente, caso o bairro onde você almeja essa aquisição se valorizar.

 

E consórcio é investimento? Eventualmente, pode ser. Se você compra uma cota de um consórcio e é sorteado logo no início, você pode vender a sua carta de contemplação por um valor acima do que você pagou. Por exemplo, em uma carta de cem mil reais em um grupo de 100 meses de duração, se você fosse sorteado no 10º mês você teria pago 10% do valor do imóvel e poderia vender a carta por um valor acima disso, há um grande mercado para essas cartas contempladas. Outra modalidade de usar o consórcio como investimento é efetivamente comprar o imóvel quando você é contemplado e colocar esse imóvel em locação, fazendo com que o aluguel pague as parcelas restantes. Por fim, algumas administradoras agora há modalidades de consórcio que garantem a contemplação de todos os cotistas de um grupo em até quatro meses. Para isso, há uma contraparte que são investidores que formam um grupo de doadores de capital. Esses investidores aportam o valor total da carta de crédito no início da formação dos grupos e, a partir do 5º mês, são sorteados para receber de volta o capital corrigido pelos juros pré-estabelecidos. É um investimento alternativo com boa rentabilidade e uma maneira de investir em consórcios de maneira diferente.

 

Por fim, uma curiosidade. O consórcio é um produto típico brasileiro, criado em 1961. Depois dessa data ele foi exportado para outros países, cada qual com suas regras, mas sempre dentro do mesmo princípio: um grupo de pessoas que deseja adquirir um bem ou serviço. Sim, serviço, pois hoje existem consórcios para cirurgias plásticas, festas, eventos, serviços de saúde, equipamentos de saúde etc. Enfim, basta achar o grupo de pessoas que sonha igual você e aderir a ele.

 

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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