Coluna Carreira & Gestão das Emoções Marcos Roberto Marcellino 29.05.2026

Postado por admin 29/05/2026 0 Comentários Economia,

 

 

Coluna Carreira & Gestão das Emoções Por Marcos Roberto Marcellino 29.05.2026

 

Salário Emocional: A urgência do cuidado invisível

 

 

 

 

Os transtornos de saúde mental, com foco para a ansiedade e a depressão, deixaram de ser apenas questões médicas isoladas e assumiram o status de crise social importante.

 

Conforme alertado reiteradamente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse panorama encontra terreno fértil nas pressões do cotidiano, transformando-se em um desafio urgente e complexo para o mundo corporativo. A linha que divide a busca incessante por resultados da linha tênue do esgotamento psicológico tornou-se preocupante nos últimos tempos.

 

No Brasil, esse cenário alarmante tem provocado um forte aumento no consumo de psicofármacos dentro das empresas. A busca por suporte químico para suportar as demandas laborais sinaliza que o limite humano está sendo ultrapassado. O medicamento, muitas vezes, passa a ser uma ferramenta de sobrevivência em vez de um tratamento temporário. Essa dura realidade escancara a necessidade de um novo olhar na forma como planejamos nossas rotinas.

 

A gravidade do problema é mensurada em números expressivos divulgados recentemente em estudos focados no ambiente corporativo nacional. De acordo com pesquisas que cruzam dados de saúde e carreira, o uso de medicamentos explodiu. O fenômeno não escolhe cargo ou nível hierárquico, afetando desde a base operacional até a alta gestão. Esse crescimento indica um adoecimento que afeta consideravelmente a cadeia produtiva.

 

Entre as lideranças brasileiras, o uso desses fármacos deu um salto de 18% em 2024 para 52% em 2025, segundo estudos recentes da The School of Life e a Robert Half. Os gestores, pressionados por metas agressivas e pela responsabilidade de guiar equipes em tempos incertos, estão colapsando sob o peso de suas posições.

 

"A solidão do topo nunca foi tão medicada quanto na atualidade."

 

O cenário é igualmente devastador quando analisamos os profissionais que atuam sob o comando dessas lideranças afetadas. Entre os liderados, o consumo de psicofármacos saltou de 21% para 59% no mesmo período avaliado. Esse grupo sofre diretamente os impactos de cobranças desmedidas, insegurança financeira e falta de suporte emocional adequado. O ambiente de trabalho pode se transformar em um catalisador de ansiedade, se não controlado.

 

Diante de um diagnóstico tão expressivo, torna-se evidente que os modelos tradicionais de gestão precisam se ajustar. É urgente que as organizações adotem a estratégia do chamado "salário emocional" para engajar seus funcionários efetivamente. Esse conceito envolve o desenho de um ambiente focado em segurança psicológica, flexibilidade e acolhimento real. Trata-se de humanizar os processos antes que o capital humano se esgote por completo.

 

A grande lição que o mercado precisa absorver é que o dinheiro já não resolve tudo sozinho. O que retém e engaja os colaboradores nas empresas hoje não é apenas a remuneração financeira. O contracheque robusto perde o sentido quando há ambiente tóxico e o preço cobrado é a integridade psíquica do indivíduo. Profissionais talentosos buscam locais onde possam produzir sem abdicar de suas saúdes mentais.

 

O cerne da verdadeira fidelidade corporativa reside em um princípio simples, mas frequentemente negligenciado: sentir-se cuidado e reconhecido. O time precisa perceber que sua existência importa além dos gráficos de produtividade. Elogios sinceros, feedback assertivo, escuta ativa e respeito aos limites de tempo são fundamentais nesse processo. O cuidado genuíno gera um ciclo virtuoso de respeito mútuo, desenvolvimento humano e entrega real.

 

As empresas que insistirem em ignorar esse novo modelo de transformação estrutural, estarão fadadas à perda constante de talentos para a concorrência que os valoriza. Construir um ambiente corporativo saudável não é mais um diferencial opcional, mas uma questão de sustentabilidade mercadológica, mentalidade de valor e estratégia elevada. O futuro do trabalho pertence às organizações que entenderem que o maior patrimônio é a mente de quem faz o negócio acontecer. Proteger essa mente é o investimento mais lucrativo que existe.

 

Marcos Roberto Marcellino O autor é escritor de 3 livros publicados na área de Carreira e Inteligência Emocional, Mentor Especialista em Carreira e Recolocação Profissional Executiva, HeadHunter, Professor MBA, Palestrante, Colunista e estudioso da Psicanálise, MindFulness, Hipnose, PNL, Eneagrama e Neurociência. Eleito ao Prêmio Oficial Melhores do ano 2024 e 2025. Moção de Aplausos CMPG 2025.

Instagram: @marcosroberto.marcellino

 

 

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