

Questionado sobre qual é o segredo para a longevidade, o descendente de italianos revelou que jamais imaginou chegar a essa idade, porém, explicou que procurou sempre levar uma vida ‘certinha’, sem bebedeiras e com tranquilidade, com respeito à sua esposa e à família e sempre com muito trabalho. Outro segredo dele seja, talvez, a taça de vinho que nunca dispensou e uma alimentação saudável, sem o consumo de carne vermelha desde os seus 70 anos, conforme comentou.

“O que conto é tudo história de verdade. Não é nada de mentira”, assim já dizia Momi Stoco para o Diário Metropolitano em entrevista concedida em 2015, ao completar 100 anos. Sempre irreverente, ele é dono de uma memória invejável, capaz de se lembrar dos tempos passados do município, de uma época em que poucas eram as casas até mesmo na região central. Lembra com clareza de detalhes as situações e fatos vividos desde os “tempos de piá”.
Trajetória


As histórias de Jerônimo, também conhecido como “Momi”, dariam uma bela biografia e encantam a todos que têm a oportunidade de escutar. A começar, a origem de sua família.
Segundo Jerônimo, seus pais, Riccardo Stocco e Adria Bianco vieram para o Brasil quando ainda eram pequenos. Seu pai chegou com a família no Brasil em 1889 e, em seguida, ergueram moradia na Colônia Balbino Cunha, em Campo Largo. “A minha mãe chegou ao Brasil com um ano”, contou Jerônimo. Foi ali mesmo na Campina que seus pais se conheceram, firmaram matrimônio e tiveram 12 filhos (Jerônimo é o sétimo filho). A mãe de Jerônimo, Adria, faleceu em 1923, quando ele tinha apenas oito anos (Jerônimo nasceu em agosto de 1915). Depois disso, o pai Riccardo casou novamente e teve outros filhos.
Foi com o pai que ele aprendeu o ofício da carpintaria. “Com meu pai tinha que aprender a trabalhar desde cedo”, lembrou. Ao mesmo tempo, Jerônimo lembra-se de uma doença que quase lhe custou a vida quando ainda era adolescente. Foi aos 16 anos que ele contraiu Tifo, que era bastante comum para aquela época. “Quem me curou foi o Dr. Atílio de Almeida Barbosa. Ele cobrou do meu pai apenas 15 mil conto pelo tratamento. Isso não era nada. Foi quase de graça”, comentou.
Em janeiro de 1938, ele casou com Idalina Bianco Stocco, com quem teve seis filhos. Idalina faleceu em 1999, mas deixou com Jerônimo uma família que o acompanha todos os dias.
Quinze anos depois de casado, Jerônimo resolveu mudar-se da Campina para a o Centro da cidade, “Não tinha nem meia dúzia de vizinho”, lembra. Na época, nosso centenário trabalhava construindo casas de madeira na cidade, mas um acidente que sofreu ao cair do telhado de uma residência o fez mudar um pouco a sua atuação. Foi assim que surgiu a sua empresa, em 1959, que hoje trabalha com esquadrias de madeira. No começo, Jerônimo fazia carroças, mas a chegada dos automóveis e caminhões o fez novamente repensar suas atividades. Foi também com a carpintaria que aprendeu também a fazer tinas e tinaços para a fabricação do vinho, bebida que ele mesmo produzia.
Irreverência
Sua casa, localizada ao lado de sua empresa, que hoje é administrada pela 3ª geração da família, é convidativa e é uma típica casa de “nono”, que para os italianos significa avô. Nesta residência, criou seus seis filhos. Casa que ele mesmo construiu e diz isso com muito orgulho e alegria.
Jerônimo sempre gostou de ter uma vida independente. O campo-larguense coleciona viagens que fez para diversas partes do Brasil e também para outros países, como Itália, Alemanha e Argentina.
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