
Livro “Paraná Preto”, das autoras Maria Carolina Scherner e Aline Reis, traz histórias sobre a questão da negritude em todas as suas nuances. Foto: Ane Pacola.

O racismo mata. João Pedro Mattos, de 14 anos, foi atingido por um tiro durante operação policial no Rio de Janeiro. Nos Estados Unidos, George Floyd, de 46 anos, foi morto por um policial durante abordagem. Esses casos recentes fizeram com que o mundo despertasse para uma onda de protestos nas ruas, buscando o fim do preconceito.
A batalha contra o racismo é histórica. No Paraná, o assunto é retratado no livro-reportagem “Paraná Preto”, das autoras Maria Carolina Scherner (moradora campo-larguense e jornalista) e Aline Reis (jornalista). “O Movimento Negro Contemporâneo, da forma como vemos atuante hoje, começa a despontar no Paraná nos anos 80, mas nós temos alguns registros de organizações de resistência no período que antecede a abolição da escravatura no país. A Sociedade 13 de Maio, fundada em 1988 em Curitiba, é exemplo disso”, disse Maria Carolina. “O movimento continua em um processo de busca pela reparação histórica que ainda precisa ser feita à população negra no país e por uma sociedade que não restrinja oportunidades por causa do racismo. É ter o acesso à educação, à saúde, à moradia, respeito à cultura e crenças”, completou Maria Carolina.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os números são alarmantes. Dados de 2019 mostram que a taxa de analfabetismo no país corresponde a 3,9% da população declarada branca e a 9,1% da população declarada preta ou parda. No mercado de trabalho 68,6% dos cargos gerenciais são ocupados por brancos, apenas 29,9% por pretos ou pardos.
“O preconceito se expõe de muitas maneiras, algumas até que passam despercebidas por muitos. Como quando se fala que “o cabelo é ruim”, “serviço de preto”, ou quando não se acredita que uma pessoa preta possa ocupar cargos de chefia, por exemplo”, disse Maria Carolina.
Todos nós somos responsáveis para contribuir com um mundo sem racismo e preconceito. “Antes de tudo as pessoas precisam conhecer a história da formação da nossa sociedade e como chegamos até aqui. Ter consciência dos seus privilégios e realmente ajudar na construção de um país mais justo”, afirmou ela.
Livro “Paraná Preto” retrata o movimento negro no estado
Publicado pela Editora Íthala, o livro “Paraná Preto” traz 118 páginas com histórias sobre a questão da negritude em todas as suas nuances. São traçados perfis de pessoas afro-brasileiras que vivenciam ou militam no movimento negro paranaense. A publicação é resultado de quase três anos de pesquisa e foi finalizada em 2012 como trabalho de conclusão em Jornalismo.
“Quando iniciamos a pesquisa para o livro, confirmamos que esse é o primeiro material que retrata a negritude e a história do Movimento Negro no Paraná. Para isso percorremos algumas regiões do Estado para conversar com membros do movimento e dar voz àqueles que estão buscando o espaço que é de direito deles”, destacou Maria Carolina. A obra foi lançada em 13 de maio de 2015 no Espaço Cultural da Assembleia Legislativa do Paraná.
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