
Casal campo-larguense completa 80 anos de matrimônio
Albino, de 101 anos, e Leonilda, de 97 anos, se casaram em 1944

"Uma bênção de Deus", assim define, emocionado, Albino Augusto ao ser perguntado sobre como é celebrar seus oitenta anos de matrimônio com Leonilda Martini Augusto. O casal se conheceu na Rondinha, durante uma festa na Igreja de São Sebastião, no início da década de 40.

Leonilda nasceu em 27 de julho de 1927 e está completando 97 anos. Descendente de italianos, Leonilda conta que na juventude as condições eram precárias: "A gente era muito, muito pobre, pobre... Era uma vida tão sofrida naquele tempo”. Leonilda tinha 10 irmãos. Seu pai faleceu quando ela tinha apenas 5 anos e sua mãe teve que criar todos os filhos sozinhos. "Minha mãe sofreu muito, porque nós só tínhamos o que plantávamos na roça", completa. Leonilda foi também neta do imigrante Pietro Paolo Marquiorato, dono do Parque do Mate durante muitos anos.
Albino, de 101 anos e aposentado há mais de 50, nasceu no Retiro, em 11 de novembro de 1922 e se mudou para o Centro da cidade de Campo Largo aos quatro anos. Descendente de poloneses, ele estudou no Colégio Sagrada Família ainda na década de 20 e começou a trabalhar com cerâmica ao lado da atual Praça Getúlio Vargas, aos doze anos de idade. “Foi antes de o Getúlio implantar as leis trabalhistas”, comenta. Após o incêndio que atingiu a fábrica, serviu o Tiro de Guerra, assim como seu irmão e expedicionário, Alberto Augusto. “Me ofereci para ir à Segunda Guerra Mundial no lugar do meu irmão, mas o pedido foi negado”. Alberto Augusto confirmou a história antes de falecer.

Albino e Leonilda tiveram cinco filhos ao todo: Altevir, Alzuir, Marli, Miliani e Bernadete. "A morte do nosso bebê Alzuir foi muito dolorosa. Não havia hospital na cidade, não tinha o que fazer", conta, emocionada, Leonilda. Na década de 1950, Albino e o irmão Alberto abriram a Cerâmica Rio Branco, que fechou nos anos 90. A fábrica ficava no prédio branco ainda existente em frente à Praça da Polônia. "Melhoramos muito quando fomos para o Rio Grande do Sul", diz Albino, que foi convidado a ser diretor de uma fábrica de louças gaúcha. "Levei a família e moramos lá por treze anos", completa. No total, são oito netos e seis bisnetos.
Um dos netos fez questão de comentar sobre a rotina e o carinho entre os dois: “Sempre estão conversando, o dia todo, mesmo depois de tanto tempo. Assistem à Missa todo dia e o ministro leva a Comunhão para eles todo mês. Os dois se ajudam, a vó ainda cozinha. Eles demonstram o amor com as atitudes, o companheirismo”.
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