Seu dinheiro por Adriano Koehler Bets são investimentos?

Postado por admin 10/09/2024 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

 

Bets são investimentos?

 

 

 A influencer Deolane Bezerra foi presa em uma operação do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) que investigou a atuação de uma quadrilha que usava empresas de eventos e casas de câmbio para lavar dinheiro de jogos ilegais, um montante de cerca de R$ 3 bilhões. Ainda não está claro qual a participação da influencer na história, mas sua fama chamou a atenção para uma das empresas investigadas, a bet (site online de apostas) Esportes da Sorte, patrocinadora de diversos times de futebol, entre eles o Athetico Paranaense, e por extensão a todas as mais de 100 bets presentes no mercado.

As casas de apostas proliferaram nos últimos anos no Brasil. São pouquíssimos os times de futebol que não levam o patrocínio de alguma bet. Do mesmo modo, praticamente todas as esquinas do Brasil também tem uma propaganda, um cartaz, um outdoor de alguma dessas casas. E as bets vieram para competir com as tradicionais Loterias da Caixa e o jogo do bicho. Mas qual o problema disso? E qual a relação delas com investimentos?

O principal problema é que muitas pessoas que fazem apostas, principalmente nessa novidade que são as bets online, acreditam que estão fazendo um investimento. 22% das pessoas que apostaram no Brasil em 2023 acreditam que as bets são uma forma de investimento. A maior parte dessas pessoas é das classes D e E e tem mais idade (acima de 60 anos). Aliás, em 2023 mais brasileiros apostaram on line do que aplicaram na Bolsa de Valores. Uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades de Mercado (Anbima) mostrou que 14% da população fez apostas (22 milhões de pessoas), contra apenas 2% que investem na bolsa. Só a poupança é mais popular que as bets: 25% da população tem poupança.

A grande questão é que outras pesquisas mostram que a cada 10 brasileiros que fizeram alguma aposta online, 6 perderam dinheiro e ficaram devendo. Como os jogos online aceitam pagamento por cartão de crédito, além de não ganhar a aposta o cidadão contrai a dívida mais cara do mercado brasileiro, que é o crédito rotativo. É dupla perda. O Banco Central do Brasil tem expresso a sua preocupação com isso, pois a popularidade das bets está afetando a economia do país. 23% dos apostadores deixam de gastar com vestuário quando veem que estão gastando demais com apostas. 19% deles param de ir ao mercado e 11% deixam de gastar com sua saúde. A redução da taxa de desemprego recente, que em teoria deveria melhorar o ritmo da economia, ainda não se refletiu nas vendas dos varejistas.

Ou seja, não só as bets estão drenando os recursos que poderiam ser investidos para garantir uma aposentadoria melhor, como prejudicam a vida presente, ao deixar as pessoas endividadas. Casos trágicos tem se tornado comuns, infelizmente. Em junho a enfermeira paulistana Gabriely Sabino desapareceu depois de contrair dívidas de R$ 20 mil no Jogo do Tigrinho, no qual teria ficado viciada. A enfermeira foi encontrada uma semana depois do desaparecimento, mas não se sabe como a questão das dívidas foi sanada. Já há casos de suicídios registrados também. É um novo vício para o qual ainda não estamos preparados para lidar.

Na prática, não há mal algum em se fazer alguma aposta de vez em quando. Só tenha a plena consciência de que apostas não são investimento!! Se você quer apostar, é importante ter disciplina financeira. Coloque em uma planilha ou escreva em algum lugar todos os seus gastos pessoais, suas obrigações financeiras, seus objetivos de vida (carro, casa, viagem, aposentadoria) – lembrando que os investimentos é que lhe ajudarão a alcançar esses objetivos – e ver o quanto sobra. É dessa sobra que pode sair algum dinheiro para gastar em apostas, loterias, jogo do bicho, bingo, você decide. Tome cuidado, porém, com quem está organizando esse jogo de azar, principalmente as alternativas online. E se você for um dos poucos a ganhar, maravilha!! Pegue o dinheiro e aproveite!! Vai que a sorte sorri para você?

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)

 

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