Seu dinheiro por Adriano Koehler “Nem tudo que brilha é ouro!”

Postado por admin 23/09/2024 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

 

“Nem tudo que brilha é ouro!”

 

 

Na coluna anterior, aqui no Diário Metropolitano Online, explicamos o perigo das bets e porque elas não podem ser consideradas investimentos. Em um investimento, existe uma perspectiva de retorno ancorada em fatores concretos (desempenho de uma empresa, no caso de ações, remuneração por um dinheiro que você emprestou a uma empresa – debêntures, CDBs, LCAs, LCIs etc – ou ao governo – títulos do Tesouro Direto – e por aí vai). Pode até ser que um investimento dê prejuízo, mas os fatores que movem isso são concretos. Nas apostas em geral, conta-se apenas com a sorte.

Além das bets, há várias outras atrações que parecem investimentos, mas que na verdade não são. Hoje vamos falar um pouco sobre algumas dessas modalidades. E quando digo algumas, é que as pessoas são infinitamente criativas quando estão tentando criar algo para separar você do seu dinheiro sem lhe dar nada em troca, a cada dia surge uma nova opção de “investimento”. Por isso, tome cuidado e leia com atenção!

Um desses falsos investimentos muito popular é o Título de Capitalização. Essa modalidade, oferecida por todos os bancos e alguns outros agentes do mercado, nada mais são que uma forma de poupança, só que mal remunerada (paga menos que a caderneta de poupança), que lhe dá alguns números para concorrer a prêmios durante a vigência do título. Ora, isso é loteria, ou seja, um jogo de azar. Seu dinheiro vai ficar parado até o vencimento do título e se você quiser sacar, pagará um pedágio que na prática reduzirá o valor investido. Por isso, não é possível considerar os títulos de capitalização como investimentos. Muito parecidos com esses são os seguros capitalizados, em que uma seguradora junta seguro e plano de previdência. Na prática, o possível ganho da previdência é consumido pelos custos do seguro, ou seja, você não ganha quase nada.

Algumas pessoas pensam que automóveis são uma forma de investimento. Pode até parecer, visto que a aquisição de um carro é algo que demanda tempo e dinheiro da maior parte dos consumidores. Mas um automóvel é um bem de consumo. Quando seu carro novo sai da concessionária, ele perde pelo menos 10% do valor instantaneamente. Ao longo do tempo, o valor do veículo vai diminuindo e você ainda gasta um bom dinheiro para cuidar dele: seguro, combustível, manutenção, limpeza etc. Muita gente só vê se a parcela do financiamento ou consórcio cabe no bolso, e esquece desses gastos extras. E pouquíssimos serão os carros que com o passar do tempo ficarão mais valiosos. Por isso, carro não é investimento.

E se no churrasco do fim de semana, com a família reunida, seu cunhado chegar para você para lhe oferecer uma oportunidade única de investir seu dinheiro e dobrar o capital investido em apenas um ano, garantido? Fuja dele no mesmo momento, diga que vai pegar mais uma cerveja ou um pedaço de carne. Na maior parte dos casos, ele estará falando de uma pirâmide financeira, uma operação criminosa – tipificada no Código Penal Brasileiro como estelionato (o famoso 171) – em que alguém promete rendimentos muito acima da média para o “investidor”, desde que esse traga outros “investidores” para o esquema. A única pessoa que ganha dinheiro nesse esquema é o criminoso que iniciou a pirâmide. E quando essa pessoa ganhou um volume de recursos que ele considera suficiente para si, a pirâmide se desmonta e todos os que entraram nela acabam perdendo seu dinheiro.

Hoje as pirâmides são mais sofisticadas, os criminosos enfeitam o discurso falando em criptomoedas, ativos digitais e afins, adequados aos nossos tempos internéticos, mas elas existem há muito tempo. Antigamente, vendia-se outro tipo de promessa. No fim dos anos 90, uma pirâmide financeira que prejudicou 30 mil pessoas foi a “Boi Gordo”, que prometia retornos de 3,23% ao mês através da engorda de bois magros e posterior venda de bois gordos. No início dos anos 2000, mesmo com essa lição, 50 mil pessoas caíram no golpe da “Avestruz Master”, tendo a ave como objeto de “investimento”. O retorno prometido era de 11% ao mês. Em ambos os casos, só houve prejuízos.

Na hora de procurar um investimento, pare e pense o quanto você teve que trabalhar para ter aquele recurso disponível com vistas à aposentadoria, à casa própria, àquela viagem. Como humanos que somos, sempre queremos antecipar a realização dos nossos sonhos, por isso retornos extraordinários chamam a atenção. Mas procure se informar antes de colocar seu dinheiro em qualquer investimento e desconfie de quem lhe oferece retorno garantido e alto demais. Melhor gastar seu tempo procurando informações do que perder seu dinheiro depois e se arrepender.

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)

 

 

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