Seu dinheiro por Adriano Koehler Os juros subiram e agora?

Postado por admin 26/09/2024 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

Os juros subiram e agora?

 

 

Na quarta feira  dia 17 de setembro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC) elevou a taxa básica de juros da economia brasileira de 10,5% para 10,75% ao ano. Mas o que isso significa para o seu dia-a-dia e para os seus investimentos? Afinal, parece ser algo muito distante da nossa realidade, uma conversa de iniciados e especialistas que não tem impacto na vida real. Mas não é assim.

A taxa básica de juros é a arma que o BC tem para controlar a inflação. E a inflação no Brasil estava muito próxima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (formado por três pessoas: o Ministro da Fazenda, o do Planejamento e o presidente do BC). A inflação é gerada ou por aumento da demanda – e os dados baixos de desemprego e a economia aquecida mostram que isso está acontecendo – ou por aumento da base monetária em circulação – no caso, o governo federal gastando muito. E hoje no Brasil as duas situações estão acontecendo.

Para reduzir o ritmo da economia, o BC aumenta a taxa de juros. Essa taxa serve de referência e define o custo do dinheiro para quem precisa tomar crédito. Isso significa que qualquer operação financeira que implique em um empréstimo – financiamento de casa ou carro ou moto, parcelamento do cartão de crédito, cheque especial etc – ficará mais cara. Se antes você poderia conseguir R$ 1.000 de crédito pagando R$ 100,00 por mês durante 12 meses, agora talvez você tenha que pagar os mesmos R$ 100,00 por 13 meses, ou seja, seu crédito ficou mais caro.

E o crédito fica mais caro para todos, pessoas e empresas. No caso das pessoas, elas vão pensar duas vezes antes de comprar algo financiado, o que tende a reduzir o consumo, ou seja, reduz a demanda. No caso das empresas, elas poderão adiar planos de expansão, pois o custo do financiamento aumentou. E sem expansão não há novos empregos e, consequentemente, menos novos salários que gerariam mais demanda. Por isso a economia dá uma reduzida no seu ritmo e a inflação tende a diminuir. Por isso a alta da taxa de juros influencia a sua vida diária.

E nos seus investimentos, o que esse aumento afeta? Antes de responder, é necessário lembrar que há mais aumentos pela frente. Todos os analistas de mercado concordam com isso, mas não sabem se a taxa subirá para 11,75% ou 12% ao ano. Por isso, a primeira sugestão é procurar investimentos que estejam indexados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é um indicador que mais ou menos acompanha a Selic. Nos títulos públicos, tem o Tesouro Selic, que paga a taxa Selic mais um juro. Em bancos e corretoras, há CDBs, LCAs e LCIs indexados ao CDI.

Outra sugestão é procurar papéis que tenham remuneração indexada ao IPCA, o índice de inflação oficial. No Tesouro Direto você encontra o Tesouro IPCA+, o Tesouro Renda+ e o Tesouro Educa+. Também existem CDBs, LCAs e LCIs indexadas à inflação. E há também vários fundos de investimento que procuram rendimentos acima do CDI, sendo uma boa opção para diversificar.

E em momento de taxas de juros em elevação, procure evitar produtos que oferecem taxas pré-fixadas no longo prazo. Isso porque ninguém consegue prever o comportamento da taxa de juros no futuro. Se a alta conseguir reduzir o ritmo da economia e a inflação baixar, a taxa cairá e aí sim os produtos pré-fixados serão atrativos. Mas se o remédio não der certo, você terá seu dinheiro preso em um produto não tão rentável. O mesmo vale para a poupança, que tem rendimentos fixados e sempre, sempre, mais baixos que títulos do Tesouro Direto.

Para saber escolher qual o melhor investimento para você, procure definir antes seus objetivos. É para uma viagem ano que vem? É para comprar ou reformar a casa daqui a cinco anos? É para a aposentadoria? Uma vez definido isso, procure ver os investimentos que mais se adequam a cada um de seus objetivos. E só então aplique o seu dinheiro. E se tudo isso que foi dito lhe parece grego, procure ajuda com algum profissional do mercado. Muitas vezes uma conversa de meia hora bem feita pode lhe poupar de grandes prejuízos.

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)

Leave a Comment