Seu dinheiro por Adriano Koehler Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí!

Postado por admin 30/09/2024 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí!

 

Em algum momento da sua vida, alguém pediu dinheiro emprestado a você. Pode ter sido dinheiro mesmo, pode ter sido para ser fiador em algum negócio ou aquele parente com uma ideia sensacional de empreendimento que quer você como sócio. E espero que você tenha dito “vou pensar com carinho” antes de ter dado o dinheiro solicitado. Porque na maior parte das vezes, se você não é do ramo de emprestar dinheiro, os riscos de você levar um calote são grandes.

Mas existe uma situação no Brasil em que emprestar dinheiro é um grande negócio. Aliás, é talvez o negócio de mais baixo risco com um bom retorno disponível no mercado. Estamos falando do Tesouro Direto, um programa do Tesouro Nacional que vende títulos públicos federais para pessoas físicas pela internet e que pode ser acessado com aplicações a partir de R$ 30,00. Um título público nada mais é que você emprestar dinheiro para o governo hoje para receber esse dinheiro de volta no futuro com alguma remuneração.

No site www.tesourodireto.com.br você encontra todos os títulos públicos disponíveis atualmente. Mas, como escolher uma (ou mais) das 36 opções disponíveis atualmente (consulta ao site feita no dia 26/09)? Vamos explicar aqui como cada título se comporta e sugerir o que pode ser melhor para você.

O primeiro título que aparece na lista de “Preços e Taxas” (menu “Títulos”). É o Tesouro Prefixado, com três vencimentos: 2027, 2031 e 2035 (esse último, pagando juros semestrais). Como o nome diz, a rentabilidade do título já está definida, e o seu dinheiro aplicado ali irá render aquele percentual a cada ano de aplicação. No caso do título que paga juros semestrais, a cada seis meses o tesouro irá depositar em sua conta um valor referente aos ganhos do papel, o que diminuirá o valor a ser resgatado no futuro. Esse título pode ser interessante para quem não precisará do dinheiro aplicado até a data do vencimento e se você acha que as taxas de juros no Brasil não subirão além dos 10,75% atuais. Pois, se houver um aumento das taxas de juros (e os economistas estão dizendo que haverá) ou alguma crise mais grave, talvez essa rentabilidade não compense.

O segundo título da Lista é o Tesouro Selic, com vencimentos para 2027 e 2029. Esse é o papel que você deve ter em vez de aplicar seu dinheiro na poupança, pois ele paga a taxa Selic mais um percentual contratado, e por isso corrige o valor do seu investimento. Já o Tesouro IPCA+ é o papel indicado se você quer proteção contra a inflação. Com vencimentos para 2029. 2035 e 2045, ele está remunerando a inflação do ano mais algo acima de 6%. É consenso no mercado que esse é o papel que historicamente remunera mais que qualquer outro investimento de renda fixa existente, desde que você deixe o dinheiro aplicado até o vencimento. Mas se você precisa de alguma renda passiva, o Tesouro IPCA+ com juros semestrais (vencimentos para 2035, 2040 e 2055) te dão um ótimo rendimento (de novo, IPCA mais bônus acima de 6%) e a cada seis meses você recebe o pagamento do cupom de juros.

Por fim, temos os títulos Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+. Ambos partem do mesmo princípio. Você investe um valor mensalmente e a partir de uma data escolhida por você, irá receber um rendimento mensal durante 20 anos (no caso do Renda+) ou durante o período do curso escolhido. Basicamente, é você poupar agora para receber no futuro uma renda complementar durante algum tempo.

Mas por que é bom emprestar dinheiro para o governo? Em primeiro lugar, praticamente todos os governos do mundo precisam de dinheiro emprestado e por isso lançam títulos. Caso você não saiba, a dívida pública dos Estados Unidos, por exemplo, é superior a 34 trilhões (t de tesouro sim, você não leu errado) de dólares!!! E ninguém acredita que os EUA darão um calote em seus credores. A dívida pública do Brasil é pequena comparada à dos EUA, de “apenas” R$ 7,139 trilhões. Mas com as contas públicas do Brasil desajustadas como estão, o governo continuará precisando de dinheiro emprestado, ou seja, emitirá títulos. E se o governo não está trabalhando direito, irá pagar mais juros para quem emprestar dinheiro para ele.

E nenhum governo ousaria dar um calote nos títulos públicos, pois a maior parte dos detentores dos papéis são grandes bancos, fundos de investimentos e institutos de previdência pública e privada, todos atuando no Brasil. Não honrar com os títulos implicaria em um desgaste político enorme para o governo federal, arruinando sua credibilidade e prejudicando toda a economia.

Uma grande vantagem do Tesouro Direto é que os papéis podem ser negociados a qualquer momento. Se houve alguma mudança nos seus planos e você precisa resgatar o seu dinheiro, o Tesouro Nacional garante a recompra dos seus títulos. Mas preste muita atenção! A venda do título antes do seu vencimento é a única possibilidade de você perder dinheiro com ele. Isso porque os títulos do Tesouro Direto são marcados a mercado, quer dizer, dependendo da situação econômica do Brasil, o papel que você comprou pode estar valendo mais ou menos do que você investiu. Se você puder esperar até o vencimento, o investimento é certo e lucrativo. Pense com carinho nos títulos do Tesouro Direto como ferramenta de diversificação dos seus investimentos. Eles são uma ótima opção, bem melhores que emprestar dinheiro para algúem.

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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