
Seu dinheiro por Adriano Koehler
“Com ou sem emoção?”
Antes de iniciarmos nossa jornada financeira pela Bolsa de Valores, vale concluir o assunto Renda Fixa. Basicamente, um investimento de Renda Fixa é aquele em que, no momento de sua contratação, você já sabe qual o retorno que esse produto lhe dará. Por isso o nome de Renda Fixa, em contraposição a Renda Variável, em que não existe um cálculo de quanto seu dinheiro pode render. De maneira geral, são produtos para quem prefere a previsibilidade no retorno de seus investimentos, ou seja, menos apetite ao risco (“sem emoção”). Nas colunas passadas falamos da poupança, do Tesouro Direto, CDB, LCA, LCI, LCD, LH e LC. Vamos falar nesta edição do restante de produtos de Renda Fixa disponíveis no mercado.
Um dos produtos mais populares são as debêntures que são títulos da dívida emitidos por empresas para captar recursos diretamente com investidores, em vez de contrair empréstimos bancários. A empresa que deseja aumentar sua capacidade de produção com a construção de uma nova unidade e não quer pegar um empréstimo bancário por achar que ele é caro, pode emitir debêntures. Nessa debênture, a empresa estabelece qual a remuneração que oferece ao investidor depois de um determinado período de tempo.
Em seguida, temos os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Nesse caso, são securitizadoras que emitem esses títulos que representam créditos agrícolas ou imobiliários. Por exemplo, uma empresa quer construir um prédio e não tem todos os recursos disponíveis. Ela contrata uma securitizadora para emitir um CRI, oferecendo os aluguéis futuros como garantia do papel e uma taxa de remuneração do investimento para os investidores. Já os CRAs funcionam de maneira semelhante às LCAs, com a diferença de serem emitidos por securitizadoras, e não pelo banco. E semelhantes aos CRIs temos as Letras Imobiliárias Garantidas (LIG), que tem lastro em crédito imobiliário. Se o emissor de uma LIG quebra, a carteira de crédito que gerou o título troca de titularidade e passa a outro banco, o que reduz os riscos do produto. Na LCI é o patrimônio do banco que garante o papel.
Nesses três casos, as taxas de retorno do investimento são conhecidas no momento da aplicação. Mas há casos em que o produto pode ser classificado de Renda Fixa, mas não se sabe de antemão qual o rendimento. São os fundos de investimento, sejam os fundos DI ou fundos de Renda Fixa. Nesse caso, o investidor compra cotas do fundo de investimento e os gestores do fundo vão investir nos papéis de Renda Fixa do mercado – todos os mencionados hoje e semana passada – buscando aumentar a rentabilidade através da diversificação e reduzir o risco, ao pulverizar o investimento em muitos papéis e emissores diferentes. Por isso, a taxa de retorno pode variar ao longo do tempo. E cada casa gestora desses fundos pode ter políticas diferentes, investindo mais em Tesouro Direto e menos em crédito privado, por exemplo, ou evitando empresas de algum setor da economia por temer calotes.
E como descobrir se uma debênture, um CRI, um CRA ou um fundo são seguros? É nessa hora que entram em campo as agências de rating, palavra inglesa que significa classificação. Essas agências avaliam a empresa que emite uma debênture, as origens dos créditos que geraram um CRI ou CRA, os gestores e os papéis que compõe um fundo de investimento. Dessa avaliação vem uma sopa de letrinhas (como AAA, A+ BBb- etc) que indica a probabilidade de esse título não ser honrado. Veja bem, probabilidade, não certeza! Pense um momento em quem investia nas Lojas Americanas, que eram consideradas AAA (ou seja, risco de calote quase nulo) por várias empresas de classificação. Por isso é importante pedir a quem está lhe oferecendo um desses papéis qual é o rating dele, para minimizar seus riscos.
Debêntures, CRIs, CRAs e fundos podem ter uma rentabilidade melhor que CDBs, LCAs, LCIs, pois são investimentos mais arriscados e não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito. O risco está todo no emissor da debênture ou nos geradores dos créditos agrícolas ou imobiliários. Outro ponto importante é que sair de um produto desses é mais difícil que sair de CDBs ou LCAs, pois eles possuem menor liquidez (ou seja, é difícil transformar uma debênture ou um CRI/CRA em dinheiro antes do seu vencimento). E são produtos que dependem ainda mais das condições econômicas (calote de compradores de imóveis) e climáticas do país (no caso de produtos ligados ao agronegócio).
Apesar do risco, ter um pouco de sua carteira de investimentos alocada em alguns desses produtos pode ser bem interessante, como forma de diversificação e para alcançar retornos melhores no médio e longo prazo. Mas estude bem cada papel antes de alocar os seus recursos. E se você não tem tempo, procure ajuda profissional (só vale a dica do seu cunhado se ele trabalhar na área financeira, combinado?). Todas as corretoras de valores têm equipes que avaliam todos os papéis disponíveis no mercado para oferecer a você aqueles que melhor combinam com seu perfil.
Bons investimentos!
Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)
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