
Seu dinheiro por Adriano Koehler
“O risco vem de você não saber o que está fazendo.”
Warren Buffet

Na edição anterior falamos sobre o básico do que é a bolsa de valores e o que significam ações. Agora vamos explicar com mais detalhes como você pode investir na bolsa, que ações escolher e no que ficar atento para que seu dinheiro cresça.
O primeiro passo para operar na bolsa de valores (na linguagem do mercado, comprar e vender ações se chama operar) é estar cadastrado em alguma corretora de valores. Há diversas opções no mercado, de corretoras independentes àquelas ligadas a bancos. Como escolher a certa para você? Vai depender de como você quer investir em ações. Há três estratégias principais que podem ser utilizadas, a buy and hold (comprar e manter), a day trade e a swing trade (sobre robôs falaremos em outro momento).
Investidores como Luiz Barsi e Warren Buffet, já mencionados aqui, usam uma estratégia chamada buy and hold (comprar e manter), ou seja, compram ações hoje pensando em ciclos de anos ou décadas e de olho nos dividendos. Outra estratégia é o day trade (negócio no dia), usada por profissionais do mercado e que se baseia na compra e venda de ações no mesmo dia. É uma estratégia de alto risco, portanto recomendada apenas para quem tem conhecimento profundo do mercado de ações. Por fim, há o swing trade, que fica no meio do caminho entre as outras duas estratégias, e consiste na compra ações hoje para vender em curto ou médio prazo, mas não no mesmo dia.
Definida a sua estratégia, você irá procurar a corretora que lhe oferece os melhores custos e benefícios possíveis. Há corretoras que não cobram a taxa de corretagem (isto é, o valor do serviço que permite a você comprar e vender ações na bolsa de valores brasileira), há corretoras que cobram taxa de corretagem mas oferecem diversos relatórios sobre as empresas da bolsa, treinamentos em técnicas de negociação (para quem deseja operar day trade, é imprescindível conhecer análise gráfica e avaliação de riscos), eventualmente atendimento personalizado, outras oferecem benefícios para quem opera day trade. E cada uma tem um aplicativo e plataforma de negociação diferentes, o que também pode influir na sua escolha. O importante é você estar confortável com a corretora escolhida, e lembrar que os ativos são seus, não da corretora. Isso quer dizer que se em algum momento você deseja trocar de casa (no jargão, trocar a custódia de suas ações), você pode fazer isso. Todas as corretoras do Brasil lhe ajudarão a fazer essa migração, se desejado.
E qual ação escolher? Se você ler os relatórios que as corretoras disponibilizam para seus clientes, já terá uma orientação melhor que o simples “eu acho que a empresa X vai valorizar”, frase emitida pelo seu cunhado que acha que entende de mercado, mas não leu nenhum balanço da empresa. Os analistas da corretora ganham para ler esses balanços em seus mínimos detalhes para poder emitir opiniões de compra ou venda de uma determinada ação, bem como de analisar o mercado como um todo e as perspectivas econômicas do setor onde a empresa atua.
Mas você pode procurar alguns indicadores chave para ter uma ideia sobre a saúde e atratividade de uma empresa. O primeiro deles é P/L (preço divididos pelo lucro). Quanto maior esse número, mais os investidores estão dispostos a comprar essa ação, e vice-versa. Mas cuidado, pois eventualmente uma ação pode estar cara pois acredita-se que ela gerará bastante lucro no futuro, e não está sendo lucrativa agora. Aí você terá que espera mais para ter retorno do seu investimento. O segundo é o valor empresarial (valor de mercado menos as dívidas) divididos pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (que em inglês dá a sigla EBITDA). Esse indicador é mais ou menos igual à geração de caixa da empresa, ou seja, o quanto de dinheiro ela cria e que ajuda a tocar os negócios. Outro indicador importante é o dividend yield (DY), que é o quanto a empresa paga de lucro por ação. Aqui é importante ver a constância do pagamento dos dividendos e não apenas a foto momentânea, pois uma empresa pode apresentar um DY alto mas, se ela está em um setor em declínio, isso não se sustentará no longo prazo. Por fim, está o P/VPA, ou seja, o preço de uma ação divididos pelo valor patrimonial de uma ação. Essa relação indica o quanto os investidores estão dispostos a pagar, mesmo com ágio, por uma ação da empresa. Se você acredita nessa empresa, talvez você se dispusesse a pagar R$ 15,00 por uma ação que tem valor patrimonial de R$ 12,00, por exemplo, pois acredita que o patrimônio dela subirá com o tempo.
Todos esses indicadores são importantes, mas não são infalíveis. Por isso, nunca cansaremos de repetir a regra de ouro dos investimentos: diversifique! Apenas em casos extremos toda a bolsa perde valor (a quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929, por exemplo, levou o mundo a alguns anos de recessão). Se você tem uma carteira diversificada, com papéis de várias empresas e segmentos diferentes, as chances de tudo dar errado diminuem bastante. E não deixe de estudar, ler bastante sobre as empresas nas quais você tem interesse e, se possível, contar com a assessoria de um profissional da área. Às vezes pagar uma taxa de corretagem para ter alguém especialista lhe orientando pode sair bem mais barato que comprar uma ação errada. Pense nisso!
Até lá, e bons investimentos!
Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)
Leave a Comment