Seu dinheiro por Adriano Koehler - A Bitcoin

Postado por admin 03/11/2024 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler - A Bitcoin

 

 

“A Bitcoin é como qualquer outra coisa. Ela vale aquilo que as pessoas estão dispostas a pagar por ela!” -

Stanley Druckenmiller

 

Nas últimas semanas falamos bastante de várias opções de investimentos disponíveis no mercado. No entanto, nos últimos anos a opção que mais tem chamado a atenção dos investidores são as criptomoedas, as moedas digitais que só existem no mundo virtual e que, mesmo assim, movimentam bilhões de dólares todos os dias. E as criptomoedas sempre vem acompanhadas de cifras monumentais. Uma bitcoin, a criptomoeda mais famosa de todas e a primeira a ser criada, no dia 31 de outubro valia R$ 415 mil.  Mas o que é uma criptomoeda?

A criptomoeda é um bem digital e foi criado para servir como meio de troca, sendo que cada moeda tem um controle individual de sua autenticidade usando a tecnologia de blockchain (uma espécie de certificação digital usando criptografia avançada e senhas rígidas). Cada criptomoeda tem uma maneira diferente de ser “cunhada” (não existe uma moeda física que represente uma bitcoin, por exemplo) que envolve supercomputadores e cálculos complexos. Mas basicamente há regras rígidas de como uma criptomoeda pode ser “cunhada”, para evitar que haja uma superoferta de uma delas e seu valor despenque. E como as moedas digitais não são emitidas por nenhum banco central de nenhum país, elas não são submetidas a regulamentações de nenhum governo específico.

Se no seu início, em 2009, a bitcoin era vista como uma excentricidade restrita a programadores de computador, hoje ela é uma realidade muito importante. Apesar de todos os avanços da tecnologia e popularização dos bancos, ainda há cerca de dois bilhões de potenciais consumidores no mundo que não tem acesso a serviços bancários. As criptomoedas poderiam ajudar essas pessoas a participar da vida financeira mundial. E por não ter nenhum governo envolvido, elas são muito propagandadas como ferramenta de libertação das tiranias pelo mundo.

Até aí, tudo bem, mas há algumas questões que devem ser levadas em consideração antes de você mergulhar de cabeça no mundo das criptomoedas. Em primeiro lugar, por não terem uma administração central, seu valor depende exclusivamente da lei da oferta e procura. Se em determinado momento há muita procura por alguma moeda digital, seu valor subirá bastante. Mas se houver alguma notícia de que algo pode estar errado com essa moeda, seu valor despencará rapidamente. Veja o gráfico abaixo para ver como oscilou a bitcoin desde a sua criação. Se você tivesse comprado uma bitcoin em 14/04/2021, teria pago sessenta e quatro mil e oitocentos dólares por ela. Um mês depois, ela estava valendo trinta mil dólares, menos da metade do valor original. Mas seis meses depois, ela já estava valendo quase sessenta e sete mil dólares. E um ano depois, menos de 20 mil. Percebe a gangorra? E como não há nada no mundo real que se relacione com o mundo virtual, o valor das criptomoedas não segue nenhuma lógica.

 

Principais marcos da Bitcoin ao longo do tempo

 

Em segundo lugar, você precisa cuidar muito bem do arquivo físico (disco rígido, disco ssd etc) onde você armazena sua carteira de moedas digitais e também de sua senha. Sem elas, ficará praticamente impossível recuperar suas moedas (a internet é cheia de histórias de pessoas que perderam tudo depois de esquecer a senha usada na criação da carteira, e não há nenhum Procon para reclamar disso).

Independente de suas vantagens e desvantagens, as moedas virtuais são uma realidade no mundo financeiro. Quando a BlackRock, a maior gestora de recursos do mundo, criou e lançou no mercado um fundo eletrônico baseado em bitcoins, foi dito que elas chegaram à maturidade. Hoje há vários fundos de investimento baseados em criptomoedas disponíveis no mercado. Você também pode comprar as moedas digitais, usando para isso uma corretora de valores. E todos os bancos centrais do mundo estão quebrando a cabeça para lançar a sua moeda digital, controlada dessa vez por uma autoridade central. No Brasil, essa moeda se chamará drex.

“Então as criptomoedas são seguras?” Novamente, vale a máxima do mundo dos investimentos: diversificação adequada ao seu apetite por risco. Alocar um pouco dos seus recursos em criptomoedas pode ser interessante, desde que você saiba que essa parte do seu dinheiro pode estar entrando em uma montanha russa. Saber o momento de saltar fora é que fará a diferença. Pense nisso antes de ir atrás de Bitcoin, Ethereum, Solana, Ripple, Dogecoin e outras.

E uma curiosidade. De um valor de 14 centavos de dólar em abril de 2010, seis meses depois que ela se tornou negociável, ela hoje vale cerca de 71 mil dólares, uma valorização de mais de 50.000.000% (sim, 50 milhões por cento) em 14 anos! E pensar que na primeira transação feita na vida real com bitcoins um programador, Laszlo Hanyecz, comprou duas pizzas e pagou 10 mil bitcoins por elas, o equivalente a 41 dólares à época. Na cotação de hoje, isso equivale a mais ou menos 710 milhões de dólares, ou seja, foi a refeição mais cara da história!!

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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