Seu dinheiro por Adriano Koehler - Tudo ao mesmo tempo agora!

Postado por admin 16/11/2024 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por  Adriano Koehler

 

Tudo ao mesmo tempo agora!

 

 

A semana que se encerrou, no dia 08 de novembro, teve tudo para ser considerada uma semana de 100 dias, visto a quantidade de eventos importantes ao longo dela. Obviamente, todos os eventos, mesmo os que parecem distantes, estão relacionados diretamente com o seu bolso, e é necessário avaliar com cuidado as relações entre eles para que os seus investimentos continuem protegidos.

 

O evento mais importante foi sem dúvida a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Falando de economia, que é o que importa aqui, Trump prometeu bastante coisa que tem potencial de chacoalhar o mercado internacional. Uma das principais bandeiras da sua campanha foi a promessa de sobretaxar as importações de todos os países de quem os EUA compram mais do que vende. Acontece que os EUA são os maiores importadores do mundo (cerca de 3,83 trilhões de dólares), e grande parte disso vai direto para o consumo. Uma sobretaxa irá gerar aumento de preços, ou seja, inflação. Se a inflação subir, o Federal Reserve (o Banco Central Americano) terá que subir os juros. E juros mais altos nos Estados Unidos significam ida de recursos para aproveitar essa alta, desvalorizando as moedas do resto do mundo, Brasil incluído.

 

Outro ponto chave da campanha de Trump foi a promessa de expulsar os imigrantes. No entanto, a economia americana vem tendo um ótimo desempenho nos últimos dois anos, e só não há uma crise de mão de obra generalizada devido justamente à entrada de imigrantes. Sem eles, haveria uma tendência de pressão salarial para cima, o que a médio prazo gera inflação. E isso seria mais um motivo para o Federal Reserve subir juros. Claro, é necessário considerar o que é campanha e o que é realidade, e muitas vezes essa controla as promessas daquela. Por isso, é necessário prestar atenção. E no dia 07/11 o Federal Reserve baixou a taxa de juros em 0,25%, um movimento já esperado e que por isso não gerará tantos reflexos nos mercados.

 

Aqui no Brasil, na quarta (06/11) o Banco Central subiu a taxa de juros para 11,25%. Os motivos são simples, mas parece que ainda há gente no governo que não quer ver. Em primeiro lugar, as contas públicas estão em má situação, o governo gasta mais do que arrecada. Para compensar isso, precisa emprestar mais dinheiro no mercado, e para isso promete juros maiores. Isso tem impacto inflacionário. Sem o corte de gastos, os investidores hesitam em trazer seus recursos para o Brasil, aumentando a cotação do dólar. Dólar mais alto gera inflação. E as quebras na produção agrícola por conta do clima geram aumento dos preços, ou seja, inflação. Essas são as razões principais da alta dos juros brasileiros, e muito provavelmente haverá novos aumentos, a não ser que o pacote de redução de gastos sendo desenhado pelo Ministro da Fazenda Fernando Haddad finalmente venha à luz e seja bem recebido pelo mercado.

 

No resto do mundo, os olhos estão voltados para a China, que pretende divulgar um novo pacote de estímulos à sua economia cambaleante. Isso é importante porque a China é a grande fábrica do mundo, e uma das estratégias do governo chinês é estimular as exportações. Não à toa os carros elétricos, placas solares e vários outros produtos chineses estão invadindo nossas casas e ruas. Não há mercado interno na China para isso. Se por um lado isso é bom, pois carros mais baratos seguram a inflação, por outro lado provoca a ida de moeda para lá. E percebem como essa estratégia da China vai de encontro à política anunciada de Trump? É mais confusão à vista.

Nesse cenário, o que fazer com seu dinheiro? Agora mais do que nunca é necessária muita cautela. Para os mais conservadores, investimentos pós-fixados e indexados à taxa Selic, ao CDI ou à inflação de bons emissores serão boas opções, defensivas e com possibilidades de rendimentos bons. Quem deseja investir em ações deve escolher muito bem em qual empresa alocar seus recursos. No início a alta de juros tende a prejudicar empresas que dependem de vendas a crédito e favorecer empresas com preços administrados (energia elétrica, saneamento, gás etc). Mas lembre-se que isso é uma tendência, não uma certeza. A alta de juros também tira dinheiro da bolsa, e talvez a queda posso gerar algumas oportunidades de compras de ações para quem olha no longo prazo. E, se você puder, procure se informar em como investir seu dinheiro na terra do Tio Sam. A bolsa lá subiu ainda mais após a vitória de Trump, que prometeu reduzir os impostos das empresas. Se isso acontecer, ter algum recurso lá será bom para o seu bolso.

 

E, como sempre (e nunca cansarei de repetir), se informe e procure alguém para lhe orientar, caso você não conheça o suficiente do mercado. Nesse mundo turbulento, ir atrás do “ouvi falar de um conhecido”, “tenho a ação certa para você” ou “o lance agora é tudo criptomoeda!” (que, aliás, subiram às máximas históricas com outra promessa do Trump) é arriscado. É como diz o ditado: “cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém!”

 

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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