
Seu dinheiro por Adriano Koehler
Pelo retrovisor
O ano de 2024 terminou e é sempre bom revisitar algumas previsões feitas ao fim de 2023 para nos lembrar de que, no mundo dos investimentos, o sucesso está diretamente ligado ao acompanhamento do que acontece no mundo. Afinal, como diz o bordão de uma rádio de notícias, em 20 minutos tudo pode mudar. No mundo conectado, talvez 20 minutos sejam tempo demais, e tudo pode mudar em cinco minutos.
Uma matéria da Revista Exame, publicada em 28 de dezembro de 2023, mostrava a perspectiva de um cenário econômico que não se concretizou. No Brasil, todos os analistas econômicos previam que a taxa de juros básica da economia iria manter um ritmo de queda, devido à melhora da economia como um tudo. Deu errado. No meio do ano, quando se viu que os gastos públicos estavam ameaçando sair do controle, as taxas de juros pararam de cair e começaram a subir. Em vez de terminar o ano em 9%, como era a previsão em janeiro, terminamos com 12,25% ao ano e uma quase certeza de que a taxa subirá para 14,25% ao ano, talvez até um pouco mais.
Nos Estados Unidos, a taxa de juros caiu sim, mas demorou para começar a cair. A economia por lá continua aquecida e o Federal Reserve, o Banco Central deles, já sinalizou que depois dos cortes feitos nas últimas reuniões a taxa deverá permanecer intocada. A taxa hoje está fixada em um intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano. Esse movimento americano, aliado às incertezas brasileiras, também furou a previsão do mercado de câmbio. Se começamos 2024 estimando que o dólar valeria R$ 5,00, fechamos com um dólar acima de R$ 6,15.
Do lado positivo, a economia brasileira medida pelo PIB surpreendeu. Enquanto os analistas previam um crescimento de modestos 1,59% em janeiro, o PIB fechará acima de 3,4%, um pouco mais que o dobro. E o desemprego também está em mínimas históricas. Ironicamente, essa notícia boa impacta a inflação, pois mais gente com dinheiro pressiona os preços. E a inflação que era prevista para terminar 2024 aos 3,9% ao ano, vai fechar beirando os 5%.
Tudo somado, quem sofre são as ações das empresas brasileiras cotadas na B3, a nossa bolsa de valores. Lá em janeiro, as projeções mais conservadoras previam uma bolsa concluindo 2024 com 140 mil pontos, enquanto otimistas apostavam em 160 mil pontos, partindo do fechamento em 134.185 pontos. No dia 26, faltando ainda três pregões, o índice estava em 121 mil pontos, uma queda superior a 9% no ano. Se você juntar a queda da bolsa e a alta do dólar, as ações brasileiras estão muito baratas, e vários analistas estão recomendando a compra de papéis da bolsa (de empresas selecionadas e com perspectiva de longo prazo, pois no curto prazo é prevista muita volatilidade).
Assim sendo, o que os analistas recomendaram lá no começo de 2024 e que deu certo? Renda Fixa, com papéis atrelados ao CDI ou à Inflação, investimentos baseados em ações de empresas americanas, títulos do Tesouro Direto (para quem pode esperar seus vencimentos, bem entendido). O que deu errado? Ações, fundos de investimento multimercado, renda fixa pré-fixada.
Para 2025, o que esperar? Na primeira semana do ano, é bom fazer uma geral sobre o que os economistas estão projetando, colocar uma pitada de sal sobre, e dar possíveis indicações sobre boas alocações, sempre considerando que em cinco minutos, tudo pode mudar!
Bons investimentos e Bom Ano Novo!
Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos
(adriano@solutioinvestimentos.com.br)
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