Seu dinheiro por Adriano Koehler Quem viver, verá!

Postado por admin 16/01/2025 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

 

Quem viver, verá!

 

 

No começo do ano, todos os economistas conhecidos são perguntados pela imprensa sobre “para onde vão as economias brasileira e global?”. Nessas horas, eu me lembro que alguém uma vez definiu a economia como sendo a ciência de se prever o passado. Sim, basta ler a coluna anterior para ver que metade do que estava previsto no início de 2024 se concretizou, e o resto deu muito errado. Longe de tentar prever o que acontecerá com a economia brasileira e global, vale destacar alguns pontos que merecem ser observados com atenção pois afetarão diretamente os seus investimentos.

No Brasil, a principal questão a ser observada é a taxa de juros básica da economia, a taxa Selic. O ano começa com bancos dizendo que ela pode subir até 15%, principalmente devido às pressões inflacionárias provocadas pela diminuição do desemprego, do atingimento do limite da capacidade produtiva da indústria e, principalmente, pela contínua expansão dos gastos públicos. O pacote de diminuição do crescimento dos gastos aprovado pelo Congresso no fim do ano ajudará a reduzir o ritmo de crescimento dos gastos públicos, mas não será o suficiente. Tanto que o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse (e depois teve que desdizer, a mando do chefe) que mais medidas estão sendo preparadas.

Basicamente, será assim: se o governo conseguir conter gastos ou até mesmo cortar, pode ser que os juros não subam tanto e que isso ajude as empresas a criar confiança e investir no aumento da produtividade, o que a longo prazo reduz a perspectiva de inflação. Mas, a se acreditar nos discursos do presidente Luís Inácio Lula da Silva, isso não acontecerá. Esperamos que o dólar alto grite tanto no ouvido dele que ele se veja obrigado a cortar mais. Claro, o Congresso também poderia ajudar reduzindo os benefícios fiscais e limitando os supersalários. Também podemos acreditar no Papai Noel, se quisermos.

Nos Estados Unidos, o novo mandato de Donald Trump parece trazer a expectativa de fortes emoções. Imposição de novas e mais altas sobretaxas para produtos importados, deportação em massa, redução das alíquotas de impostos, tudo leva para a direção da explosão do déficit fiscal americano. Já tem analistas dizendo que quando a realidade bater na porta de Trump ele terá que ser menos radical que o discurso. Mas como ele é imprevisível, também a economia o será. E nesse caso, convém estar muito alerta para tomar decisões sobre seus investimentos.

A Europa lida com outro tipo de problemas. Perda de competitividade de suas indústrias, redução da população, o avanço de partidos de extrema direita que pregam um populismo absolutamente desvairado em termos de economia e, ainda, pelo quarto ano, uma guerra em seu quintal. Ainda que o peso da economia europeia seja grande no mundo, na vida prática ela não nos afeta tanto. Uma boa notícia que poderia vir seria a implementação do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. Mas como isso depende da aprovação da maior parte dos parlamentos dos 27 países europeus e dos quatro do Mercosul (a Venezuela é parte do bloco mas está suspensa), vai demorar.

Na China, que durante muitos anos foi a locomotiva que puxou a economia mundial, a situação não é nada tranquila. Será necessário ver como o governo lidar com a queda da atividade econômica ao mesmo tempo em que lida com uma redução expressiva nas taxas de natalidade, o que pode significar falta de mão de obra (e um número gigantesco de imóveis vazios) na indústria. Se o premier Xi Jinping conseguir alguma mágica que reinicie a economia, o Basil se aproveitará (somos grandes vendedores de minério de ferro e proteína animal para lá). Se não, a receita vinda das exportações brasileiras para lá valerão menos.

Como você pode ler, tem muita coisa em jogo. O investidor de sucesso terá que agir como aquele equilibrista do circo, que controla oito, dez, doze pratos girando na ponta de bastões, e não deixa cair nenhum. Será necessário prestar muita atenção a cada minuto, pois há muitos atores nesse grande teatro econômico internacional que até seguem um script, mas adoram fazer um improviso no meio da peça. Preste atenção, e cautela.

Bons investimentos e Feliz Ano Novo!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos

(adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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