
Seu dinheiro por Adriano Koehler
Tempos difíceis
“Homens fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram homens fracos, mas homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes” – provérbio oriental
Para quem olha a situação econômica do Brasil agora, sabemos exatamente onde estamos: “homens fracos criam tempos difíceis”. O governo executivo vive uma crise fiscal de grandes proporções, e parece não se dar conta (ou prefere não se dar conta, o que é pior) das consequências que um dólar alto, uma política expansionista de gastos e uma visão errada de que “investimento público não é gasto”, tantas vezes repetida pelo presidente, são caminhos certos para o Brasil voltar a perder o controle da inflação.
Mas a conta não é apenas do Poder Executivo ou desse governo atual. Na gestão anterior, por não saber fazer política, o governo entregou bastante poder da execução do orçamento nas mãos do Poder Legislativo. Como ninguém gosta de perder poder, os congressistas de hoje estão vendendo caro o apoio ao pacote de ajuste fiscal proposto pelo governo executivo (que é insuficiente, por sinal). E, em um sinal de que nossos congressistas também não entendem (ou preferem não entender, o que é pior), a situação econômica brasileira, por pura pressão política, tira medidas do ajuste fiscal, reduzindo o seu impacto.
E o que pode ser dito do Poder Judiciário, ou do Ministério Público? Já faz tempo que notícias de magistrados e procuradores recebendo valores muito acima do teto constitucional – a saber, o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal – na forma de auxílios diversos. É auxílio paletó, auxílio livro, auxílio educação etc. e tal, todos isentos de Imposto de Renda (pois não são salários) que fazem os rendimentos dessas duas classes superarem em muito o teto constitucional, atualmente cheio de buracos. E onde estavam os magistrados na quarta-feira, dia 18 de dezembro, em que o pacote fiscal estava sendo votado? No plenário do Congresso, fazendo lobby para evitar que a medida que restringiria em parte as exceções ao teto fosse aprovada. E conseguiram, para a tristeza e pobreza da nação.
Vale lembrar também que desde o governo de Dilma Rousseff diversos incentivos fiscais foram dados a 17 setores da economia, como forma de incentivá-los a crescer e contratar. Os benefícios foram mantidos e ampliados por Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luís Inácio Lula da Silva. Pois bem, todos esses incentivos continuam (a soma deles supera os R$ 590 bilhões de reais, cerca de oito vezes mais que o impacto esperado do pacote fiscal) e quando o Ministro da Fazenda Fernando Haddad tentou retirar um pouco desses benefícios, foi barrado pelos congressistas. O presidente Lula pode até dizer que as empresas não colaboram, mas ele também criou um programa de incentivos logo que assumiu seu terceiro mandato (o Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação, custo total de R$ 19,3 bilhões em cinco anos).
Não há inocentes nessa história, o que estamos vendo é um coletivo de homens fracos, a começar pelo Governo Executivo, olhando apenas o próprio umbigo e os benefícios a si próprios e aos seus grupos. Por isso, é necessário prestar muita atenção para escolher um investimento atualmente. A economia do dia-a-dia parece estar boa – pelo menos é o que os dados do PIB e de desemprego mostram – mas a percepção é de que vivemos um desastre iminente, com o dólar disparando e a bolsa caindo, não importa o que o Banco Central faça. Separar o joio do trigo, definir com clareza quais são suas metas de curto, médio e longo prazo e saber quanto alocar para cada uma delas, podem lhe ajudar a ganhar dinheiro, mesmo nesses tempos difíceis. Manter a cabeça fria o tornará o homem forte, ratificando o provérbio oriental.
Bons investimentos e muita calma nessa hora!
Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos
(adriano@solutioinvestimentos.com.br)
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