
Seu dinheiro por Adriano Koehler
Os principais erros de quem investe
Quando se fala no nosso dinheiro e nos nossos investimentos, é óbvio que queremos acertar sempre. Isso não é possível, sinto dizer. Mesmo os maiores investidores do mundo (pensemos em Warren Buffet ou Luiz Barsi) cometeram alguns erros. No entanto, saber quais são esses equívocos nos ajuda a evitá-los quando possível.
O primeiro deles é achar que a poupança é investimento. Sinto lhe informar, mas poupança não é investimento. Talvez, em alguns momentos, ela possa até superar a inflação (em 2024, a poupança rendeu pouco mais de 7%, contra 4,83% da inflação, ou seja, um ganho real de 2,83%), mas via de regra é uma aplicação financeira ruim, que só favorece os bancos e o governo. Portanto, pense seriamente em levar esses recursos para outro lugar.
Outro erro, infelizmente comum, é achar que você ficará milionário da noite para o dia sem apostar em algum jogo de azar. São inúmeras as promessas de ganhos (há pouco tempo um cliente mandou a imagem de uma pessoa dizendo que tinha tido ganhos de 4.383% em dois meses de operação). A única pessoa que ganhará com isso é quem ofereceu esse “milagre” e pegou um dinheiro seu. Desconfie sempre disso!! Esse comportamento também vem junto com um otimismo exagerado, normalmente em um único ativo. “Agora com a Bitcoin eu finalmente ficarei rico!”. E investe tudo em Bitcoin e se desespera se entrou na onda quando ela já estava quebrando. A decepção e o prejuízo serão grandes!
Falando em entrar na onda quando ela já está quebrando, um erro muito comum é achar que um investimento muito rentável no passado vai continuar assim no futuro. No início dos fundos imobiliários no Brasil, todos os grandes bancos montaram uma empresa imobiliária que passou a ser dona dos imóveis onde estavam as suas agências e venderam as cotas desses fundos na bolsa. Durante anos, foram os melhores investimentos no setor. Hoje o que vemos pelas ruas da cidade são agências fechadas ou muito menores que as antigas, pois quase tudo se resolve pelo celular. Ou seja, o passado não deu dicas de como seria o futuro.
Ainda na onda do otimismo desenfreado entra em cena também a falta de diversificação. Você acredita que aquele único ativo irá se valorizar indefinidamente e não escolhe ativos diferentes e expostos a diferentes graus de risco, setores econômicos, de liquidez garantida. E aí, quando uma notícia prejudica seu único ativo vira aquele drama. Do mesmo modo, investir tudo apenas na bolsa de valores é temerário. Quem fez isso no Brasil em 2024 viu seu patrimônio encolher 10% (ou 19% em dólar). Claro que você só amargará o prejuízo se vender suas ações. Mesmo assim, dá uma dor ao ver a sua carteira que valia R$ 1 milhão em janeiro e ver na conta R$ 900.000 no fim do ano.
Outro erro é não olhar as taxas que são cobradas em diversos produtos financeiros. Fundos de previdência com taxas de administração acima de 1% ao ano, fundos que investem apenas em títulos públicos cobrando taxas de administração acima de 3% ao ano, dentre outras, comem o seu rendimento. Por ano parece pouco, mas pense no longo prazo o quanto do seu dinheiro foi parar no bolso da administradora. É muito dinheiro.
Enfim, esses são os erros mais comuns que podem acontecer com qualquer pessoa. Mas talvez o principal erro seja o de tentar desbravar o mundo dos investimentos sozinho. A quantidade de variáveis é imensa e estar atenta a todas elas é tarefa difícil de ser executada. Por isso repito aqui mais uma vez: procure sempre um profissional da área para lhe auxiliar. Essa atitude irá lhe poupar tempo e com certeza fará a sua experiência no mundo dos investimentos ser mais lucrativa e prazerosa.
Bons investimentos!
Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)
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