
Meu dinheiro por Adriano Koehler
Por que a taxa Selic mexe com o meu bolso?
No dia 29 de janeiro, todo o noticiário econômico girou em torno da taxa de juros referencial do Brasil, a conhecida taxa Selic, e da taxa dos Estados Unidos (que não tem um nome). Enquanto no Brasil a taxa subiu em um ponto percentual, de 12,25% para 13,25% ao ano, a dos Estados foi mantida no intervalo entre 4,25% e 4,55% ao ano. Se todo mundo falou disso, é porque deve ser importante. Sim, é muito importante, mas como isso afeta o investidor comum, aquela pessoa que está lutando para ter a sua reserva de emergência e guardar algum para a aposentadoria?
Em primeiro lugar, dentre as diversas atribuições do Banco Central do Brasil (BCB) está o atingimento das metas da inflação. A meta da inflação é determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), do qual participam os ministros da Fazenda, do Planejamento e o presidente do BCB. Atualmente, a meta de inflação no Brasil é de 3%, com uma banda de 1,5 pontos para cima ou para baixo (qualquer dado entre 1,5% e 4,5% está ok). A principal ferramenta para o BCB controlar a inflação é a taxa Selic. Ela é determinada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, com base em análises e avaliações sobre a situação da economia.
Basicamente, há dois tipos de inflação, a de oferta e a de demanda. Inflação de oferta é quando os preços de produção aumentam, mas a demanda continua a mesma. Já inflação de demanda é quando há mais gente querendo comprar produtos e não é possível aumentar essa disponibilidade rapidamente. No caso brasileiro, atualmente, vivemos um problema de inflação de demanda. O desemprego cai, os salários têm aumentado e há mais dinheiro circulando. São boas notícias sim, mas a oferta de produtos e serviços não tem acompanhado isso, o que gera inflação. E no caso dos alimentos, há várias quebras de safra pelo mundo (veja o café, por exemplo).
Hoje o IPCA brasileiro está rodando ao redor de 5% ao ano, acima da meta. Como a inflação alta prejudica todo mundo, o BCB precisa agir. Ao aumentar a taxa de juros, o crédito para pessoas e empresas fica mais caro. Logo, haverá menos dinheiro em circulação, o que reduz a atividade econômica, aliviando a pressão sobre os preços. Se estivéssemos com a inflação controlada, em recessão ou com uma atividade econômica fraca, o BCB iria baixar a taxa de juros para que as empresas e pessoas pudessem tomar crédito e investir ou gastar. Esse é o primeiro impacto da taxa Selic na vida de todos. Ao subir, o crédito (todos os empréstimos e financiamentos) ficam mais caros. Se descesse, tudo ficaria mais barato.
Agora chegamos ao ponto que interessa a você, investidor. Uma taxa Selic mais alta ajuda quem investe em papéis indexados ao CDI (certificados de depósito interbancários, cujas taxas acompanham de perto a taxa Selic, ou títulos do tesouro direto, dentre outros). Isso porque bancos, por exemplo, que emitem CDBs (certificados de depósito bancário) ou RDBs (recibos de depósito bancário), precisam pagar mais para captar dinheiro para suas operações. Logo, o seu rendimento será maior enquanto a Selic estiver alta.
Do outro lado, tudo o que tem a ver com renda variável – ações e fundos imobiliários, principalmente – perde. Afinal, por que arriscar a ganhar se você pode ter a certeza de ganhar com um CDB, por exemplo? Claro que aqui existe uma oportunidade. Como na renda variável existe um pouco do “efeito manada”, mesmo ações boas tem suas cotações reduzidas, logo, seu preço se torna bastante atraente para quem pode pensar a mais longo prazo. Claro que é necessário analisar muito bem papel a papel e não sair comprando sem critério. Atualmente a bolsa brasileira está bem barata e com muitas oportunidades boas, basta estudar. Outro investimento que pode sofrer são títulos pré-fixados, quando você sabe exatamente a rentabilidade desse papel. Se os juros sobem muito, como essa taxa não está indexada, há o risco de se ver com um papel rendendo menos que a Selic (pelo menos, momentaneamente).
Tudo somado e subtraído, o que fazer? Claro que a resposta depende do seu perfil de investidor, mas em termos gerais o momento é de evitar tomar crédito (financiamentos, compras a prazo com juros, dívida no cartão de crédito), procurar opções de renda fixa de bons emissores com boas rentabilidades e dentro dos prazos de resgate que lhe atendem, se houver apetite a risco comprar ações de empresas boas, avaliar com muito critério papéis pré-fixados e manter-se sempre bem informado. Só assim seu dinheiro estará protegido das intempéries.
Bons investimentos!
Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos
(adriano@solutioinvestimentos.com.br)
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