Seu dinheiro por Adriano Koehler A importância da previdência

Postado por admin 28/04/2025 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

 

A importância da previdência

 

 

Em algum momento da sua vida, você desejará parar de trabalhar. E se tudo der certo, você poderá parar de trabalhar e terá dinheiro para curtir o resto da vida. Isso implica em planejamento financeiro, para que você tenha dinheiro para poder gastar com viagens, lazer, jantares, seja lá qual for o seu sonho. E um dos caminhos que você pode (ou deve) trilhar é fazer um plano de previdência. Ou melhor, dois planos de previdência, a pública e a privada. Uma complementa a outra e ambas são fundamentais para a sua aposentadoria.

 

Em primeiro lugar, é necessário explicar um pouco mais o que a previdência pública, que é paga pelo Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS). Além de garantir o pagamento de um valor mensal como um salário (inclusive pagando um décimo terceiro), ela é importante para você pois não é apenas uma aposentadoria com garantia de renda. Ela traz em seu bojo outros benefícios que dificilmente um plano privado oferece e que podem ser usufruídos durante a sua vida produtiva. Para a sua família, por exemplo, ela oferece um salário-maternidade durante quatro meses para a mulher que tem filhos (seja por parto ou por adoção). Ela também pode pagar um salário-família, um auxílio-reclusão (desde que a pessoa tenha contribuído para o INSS antes de ser preso) e a pensão por morte. E há outros dois benefícios por incapacidade, o auxílio-doença e o auxílio-acidente.

 

Já a previdência privada normalmente é um investimento que você faz, contribuindo de maneira regular (mensalmente, por exemplo) ou esporádica (comissões de vendas, por exemplo), para um fundo. Os gestores desse fundo escolhem investimentos para que o valor que você contribuiu renda juros e, ao final de um determinado período de contribuição, você poderá retirar o dinheiro de suas cotas de uma vez só ou mensalmente, dependendo das condições do plano contratado. Em alguns casos, empresas oferecem planos de previdência fechados em que a empresa contribui com um valor para você, um estímulo para que você continue trabalhando para essa empresa.

 

No caso da previdência pública, se você trabalha com carteira assinada, você necessariamente já é um contribuinte do INSS. Pessoas que não trabalham com carteira assinada, autônomos, por exemplo, precisam fazer sua contribuição ao INSS de maneira independente, e aí vale procurar auxílio para saber com quanto contribuir para estimar qual será o valor da sua aposentadoria. Do mesmo modo, contribuir com uma previdência privada é uma decisão pessoal e voluntária.

 

É muito importante para a sua aposentadoria se você puder contribuir com as duas. Isso porque no mundo inteiro está havendo uma revolução demográfica que vai impactar profundamente todos os sistemas de previdência pública. Na maior parte dos países, a previdência pública é sustentada pelas contribuições de quem está trabalhando para pagar os benefícios de quem já parou de trabalhar. Engana-se quem acha que dentro do INSS tem uma caixinha com o seu nome com todo o dinheiro com que você contribuiu.

 

Só que nascem cada vez menos crianças no mundo. Um estudo das Nações Unidas mostra que a população mundial atingirá seu pico em 2064, e seremos pouco menos de 10 bilhões de habitantes (hoje somos 8 bilhões). Em alguns países, a taxa de natalidade é tão baixa que a população já começou a diminuir (Japão, Coreia do Sul, China, Itália, Portugal, por exemplo). E viveremos cada vez mais. Logo, não haverá jovens o suficiente para pagar os aposentados. Praticamente todos os regimes previdenciários públicos são deficitários. No Brasil, para piorar, há regimes diferenciados entre trabalhadores da iniciativa privada, servidores públicos e militares, com diferentes níveis de déficit.

 

Hoje, o teto dos benefícios do INSS é de R$ 8.157,41, e ele deve baixar ao longo do tempo, tanto por conta da redução da base de contribuintes como pelas próprias contas deficitárias do INSS. Logo, se você quer viver com um pouco mais de folga, é necessário começar a contribuir para uma previdência privada já. Cada dia sem essa contribuição pode significar uma aposentadoria menos confortável ou gerar a necessidade de que você continue trabalhando. Pense nisso.

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos 

(adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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