Seu dinheiro por Adriano Koehler Os caminhos alternativos da prosperidade

Postado por admin 23/06/2025 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

 

Os caminhos alternativos da prosperidade

 

 

O mercado financeiro evoluiu tremendamente desde a criação da internet, e ainda mais rápido quando os celulares se tornaram pequenos computadores que o mantém conectado ao mundo 24h por dia, sete dias por semana. Com isso, abriu-se um leque de oportunidades enormes para quem procura investimentos alternativos como maneira de diversificar a sua carteira e buscar mais retorno (sempre lembrando que, em geral, quanto maior o retorno prometido, maior o risco de qualquer aplicação). Vamos citar alguns exemplos aqui que com certeza devem ter aparecido em sua linha do tempo em alguma rede social, se por acaso você fez uma busca por investimentos usando o celular ou computador.

Um dos investimentos que prometem retornos consistentes bem acima do CDI, que é a taxa de referência no Brasil, são fundos de renda fixa previdenciária. Uma empresa que oferece um fundo anuncia uma rentabilidade prevista de 32,50% ao ano (ou seja, seu capital dobra em três anos). Esses fundos se definem como um investimento lastreado em ações judiciais contra o INSS, ações já julgadas e que geram um crédito a algum segurado. O fundo adquire esses direitos creditórios, o que garante ao vencedor da ação recursos mais rapidamente que esperar pelo pagamento do INSS, e a securitizadora ganha na diferença entre o valor da ação e o valor pago ao segurado. Parece uma sacanagem, mas não é. As empresas fazem isso constantemente ao antecipar seus recebíveis com uma factoring, por exemplo.

 

Outro investimento alternativo são fundos de direitos creditícios oriundos de precatórios. Um precatório é uma dívida que um governo (federal, estadual ou municipal) deve pagar a alguém, oriundo de uma sentença judicial. No entanto, como estamos no Brasil, eventualmente o governo lança mão do velho ditado “devo, não pago e nego enquanto puder”. Assim, um precatório é uma promessa de receita sem data definida para ser cumprida. E pessoas com precatórios na mão trocam o valor a ser recebido no futuro por um valor menor no presente. Essa diferença, novamente, é o lucro que o fundo obtém. Outro anúncio na internet projeta para um Precatório da Prefeitura de São Paulo uma rentabilidade de 20,30% ao ano (isto é, se a prefeitura pagar direito o que deve, né?).

 

Outra possibilidade são sociedades por cotas de participação (SCP), ou, como se diz no jargão financeiro, private equity (capital privado). Nessa modalidade, que algumas empresas não chamam de investimento, para não necessitarem da regulação da Comissão de Valores Mobiliários (o xerife do mercado financeiro brasileiro), a pessoa faz um aporte na SCP na categoria de sócio minoritário, e a empresa que oferece a SCP entra como sócia ostensiva. O aporte feito dará direito à pessoa receber dividendos advindos do lucro da operação comercial que a SCP exerce. Por exemplo, uma empresa cria uma SCP para trabalhar na comercialização de grãos. Os lucros dessa operação são divididos entre os cotistas.

 

E a cada dia aparecem novas oportunidades que a tecnologia oferece. Uma delas, por exemplo, permite a você fazer um empréstimo direto a outra pessoa (que você não conhece) pela internet, o que no jargão se chama de P2P Lending (empréstimo entre pares). Para quem toma o crédito, os juros são menores que em bancos ou financeiras. Para quem empresta, os juros são maiores que em aplicações normais. Outra empresa oferece participação nos lucros do aluguel de iPhones (sim, é isso mesmo que você leu!). A empresa compra os telefones da Apple e outros eletroeletrônicos cobiçados para alugar a pessoas e o lucro é dividido entre os investidores da operação. Uma das empresas que oferece esse negócio oferece uma rentabilidade de até 22,5% ao ano.

 

Obviamente, todos esses investimentos (e vários outros que a cada dia vão surgindo) devem ser avaliados com muita cautela, pois envolvem mais riscos que outros produtos monitorados pela CVM. Antes de escolher qualquer um desses, procure saber qual a empresa que está por trás de cada oferta, para evitar que você caia em um golpe. Tenha em mente que praticamente todas essas ofertas trazem escrito, bem pequeno, uma rentabilidade prevista, mas não certo. Por isso, esses investimentos, após avaliação criteriosa, podem ser uma oportunidade de diversificação na sua carteira e representar boas oportunidades.

 

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos

(adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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