Seu dinheiro por Adriano Koehler O vai e vem do IOF

Postado por admin 19/07/2025 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

O vai e vem do IOF

 

 

 

Foram duas semanas trepidantes em Brasília, com uma briga entre os três poderes da República, mais especialmente entre o Executivo e o Legislativo, com a mediação equivocada do Judiciário. O Executivo está desesperado por mais recursos e não consegue avançar com sua agenda de corte de gastos no Legislativo. Este, por sua vez, está mais preocupado com as eleições de 2026 e não quer dar nenhuma chance ao atual governo de reverter o cenário econômico, pelo contrário, vota propostas que aumentam os gastos públicos. O Judiciário, por fim, também não colabora, e dá-lhe penduricalhos, novos cargos, novas despesas, como se o dinheiro fosse sem fim. Todo esse rumor prejudica o mercado e o investidor, aquela pessoa que dá duro todo dia para ter algum recurso sobrando para ter algo no seu futuro, fica absolutamente perdido.

 

Vejamos o caso do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em específico. O Executivo aumentou as alíquotas do IOF com a alegação de que é um imposto de monitoramento de atividades e com a falsa justificativa de que ele só atingiria os mais ricos. O Legislativo, que de vez em quando parece pensar no país, resolveu peitar o governo e derrubou o decreto de aumento das alíquotas, algo que não acontecia desde o governo de Fernando Collor, lá em 1992 (pouco antes do impeachment). A Advocacia Geral da União, a pedido do presidente Lula, foi ao Superior Tribunal Federal (STF) pedindo a inconstitucionalidade da derrubada do decreto. O ministro Alexandre de Moraes, que deveria dizer se os atos eram constitucionais ou não, inventou uma conciliação que não estava prevista em lei. E depois de não terem chegado a conciliação alguma, decidiu que o decreto do governo é constitucional, mas não todo ele, que a decisão do Legislativo não é, e que as novas alíquotas são válidas retroativamente, ou seja, desde a data da publicação original do decreto presidencial. Legal essa de cobrar imposto do passado, né?

 

O investidor, nesse momento, fica absolutamente perdido. Onde investir? Existe algum produto financeiro que me proteja das ações arrecadatórias, ou que pelo menos tenha uma cobrança de impostos justa? Nesses momentos de turbulência, continuará valendo a máxima da diversificação: nunca colocar todos os ovos em uma mesma cesta (nunca colocar todo o seu dinheiro em um único investimento). Em qualquer corretora de valores, o cardápio de opções é grande e variado, com diferentes níveis de risco. Os bancos também podem ter vários produtos, geralmente menos que as corretoras, mas também permitem uma pulverização do risco.

 

Hoje, por exemplo, com todo esse cenário interno e com o risco Trump pairando no ar, a XP traz a seguinte diversificação proposta para o investidor conservador: 70% dos recursos em papéis pós-fixados (CDBs, LCAs etc atreladas ao CDI), 15% em papéis que seguem a inflação, 2,5% em títulos pré-fixados (para tentar aproveitar a possível queda de juros que deve acontecer), 5% em multimercados (apesar da turbulência, há oportunidades lá fora), 2,5% em fundos listados (fundos imobiliários, basicamente), e 5% fora do Brasil, sendo metade disso em renda fixa e metade em renda variável (e quase todas as corretoras oferecem essa opção a seus clientes). E tudo isso independe do quanto o IOF será. Pois só existem duas certezas nessa vida: a morte e os impostos.

 

E se você tem dúvidas de como fazer essa diversificação, procure o auxílio de um profissional da área. Eventualmente, você pode achar que ter 20 CDBs diferentes pode significar diversificação, mas não é. Pense nisso.

 

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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