Seu dinheiro por Adriano Koehler A bolsa sem fim dos valores

Postado por admin 27/07/2025 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por  Adriano Koehler

A bolsa sem fim dos valores

 

Para a maior parte dos investidores, a bolsa de valores resume-se ao comprar e vender ações, ou seja, partes de uma empresa, e esperar que a cotação dos papéis suba para poder vender e embolsar o lucro, torcer para que a ação não baixe de preço e que pague bons dividendos enquanto o papel está em sua mão. Mas existem várias outras maneiras de se ganhar dinheiro na bolsa, mesmo em cenários de queda do valor das ações. Não é mágica, apenas matemática e estratégia. Claro, são operações de maior risco e é necessário conhecer bem como funcionam, mas podem significar boas opções para multiplicar o capital.

Uma primeira operação é que as corretoras de valores chamam de estruturas. Vamos supor que na sua carteira tenha ações preferencias da Petrobras (PETR4). Se a companhia anunciar uma nova jazida em área que lhe pertence, ou o preço do petróleo subir por qualquer motivo, há uma tendência (veja bem, tendência) de que o preço da ação suba. Vamos supor que esse pacote de boas notícias faça a ação subir 10% em um arco de dois meses. Um bom assessor ligaria para você para oferecer uma estrutura de proteção. Nessa estrutura, que envolve uma combinação de opções de compra e venda futuras, o cliente ganha toda a valorização do papel até um determinado patamar (vamos dizer, se o papel subir 30%, você ganha 30%) e ganha também se o papel se desvalorizar em até 15%. Sim, é isso que você leu: você ganha mesmo que o papel se desvalorize! Esse bom assessor, por exemplo, ligará para você quando a ação tiver caído 10% e dirá para você desmontar a estrutura, embolsar esse lucro de 10% e comprar mais ações PETR4, que estarão baratas e têm potencial de valorização. E quando elas subirem de novo, monta-se uma nova estrutura. Ah, e pode-se montar estruturas de proteção do capital, ou seja, você não perde dinheiro. Tem o custo da operação, claro, mas elas carregam vários potenciais ganhos.

 

Outra maneira de operar na bolsa é o mercado a termo. Nessa operação, em vez de comprar ou vender uma ação na hora (à vista), você assina um contrato para comprar ou vender um ativo em uma data futura por um preço igual à cotação atual mais juros, sendo que esses juros são acordados entre o comprador e o vendedor da ação. E como se ganha dinheiro nessa operação? Para o comprador, ele espera que no dia de honrar o contrato o preço da ação que ele comprou esteja acima do que está estabelecido em contrato. Para o vendedor, ele espera que a ação esteja cotada a um valor menor que o estabelecido em contrato. O vendedor também pode encarar a operação como um título de renda fixa, em que ele sabe antecipadamente o retorno que terá no contrato. É importante notar que o contrato deve ser honrado e que ambas as partes dão outros ativos como garantias de que ele será executado, independente das condições de mercado. E é possível ao comprador liquidar o contrato antecipadamente, caso a ação esteja acima do valor estipulado, e assim lucrar antes. Por fim, como a liquidação do contrato se dá depois de um determinado prazo, você pode operar sem colocar dinheiro novo na bolsa (mas precisa oferecer garantias).

 

Existe também a operação com contratos de mini índice. Nessa operação, indicada apenas a quem realmente entende como a bolsa funciona, você acompanha as cotações em tempo real do índice e compra ou vende o mini índice futuro, apostando (ou analisando graficamente as cotações) na alta ou baixa dele. O nome mini índice significa que você está negociando uma fração do índice e não ele cheio, ou seja, necessita de menos dinheiro para operar. Mas essa operação é bastante arriscada e você deve estabelecer estratégias de atuação e limites de ganhos e perdas diários, para evitar que uma reviravolta no mercado te leve para o buraco junto com o índice.

 

Por fim, praticamente todas as corretoras oferecem atualmente a contratação de robôs negociadores. Esses robôs podem operar contratos de índice ou do mini índice da B3 ou do dólar, dependendo da estratégia adotada. O programador de cada robô estabelece parâmetros de ganhos e perdas, condições para entrar ou sair do mercado e garantias mínimas para poder ser contratado. A vantagem dos robôs é eliminar a subjetividade. Muitos investidores perdem dinheiro pois ignoram os fatos e resolvem manter uma posição que está dando prejuízo acreditando na virada do jogo logo ali, no minuto seguinte. O robô não terá essa esperança, e se você disser que tolera perder até R$ 200 por dia, é ali que o robô para de trabalhar.

 

Para quem não conhece, essas operações parecem um grande cassino, pois aparentemente estão descoladas da realidade. Mas todas elas envolvem muita análise econômica, acompanhamento do cenário, atenção às notícias tanto econômicas como políticas e, principalmente, proximidade e disponibilidade de tempo, caso você deseje operar ativamente. Do contrário, procure uma boa assessoria para lhe orientar e permitir a você aproveitar essas oportunidades.

 

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos

(adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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