Seu dinheiro por Adriano Koehler Uma questão de dias

Postado por admin 06/09/2025 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

Uma questão de dias

 

Ao iniciar a sua jornada no mundo dos investimentos, uma das primeiras perguntas que lhe será feita é: “qual o prazo previsto para você usar esse recurso?” Na prática, o que o agente financeiro (banco, corretora, consultor de investimentos etc) quer sabe é quanto tempo seu dinheiro pode ficar parado para poder decidir se o seu investimento será de curto, médio ou longo prazo. Claro que essas definições podem variar de pessoa para pessoa (e no caso do Brasil, elas variam imensamente devido à sensação de permanente instabilidade do país), mas há algumas dicas que podem lhe ajudar a definir isso e escolher melhor seus investimentos.

 

Em primeiro lugar, você precisa montar a sua reserva de emergência. Essa reserva deve equivaler a seis meses dos seus gastos pessoais (ou familiares) e deve ser investida em alguma aplicação de liquidez diária, como Tesouro Selic, ou CDBs ou LCIs ou LCAs ou algum fundo de investimento que permita a você sacar o dinheiro e esperar no máximo um dia para o dinheiro cair na conta. Isso porque a reserva de emergência é o dinheiro a ser usado em caso de demissão, por exemplo, ou uma emergência médica. Feita essa reserva, vamos para a parte que faz você acumular e multiplicar seu patrimônio.

 

Nesse momento, você irá definir seus sonhos. Quando você desejará trocar de carro, comprar uma casa, viajar para aquele lugar especial, enfim, quando você quer o quê? É importante colocar os prazos pois um dos fatores mais relevantes na acumulação de patrimônio são os juros compostos, ou seja, uma aplicação que rende 10% ao ano faz seu capital dobrar em oito anos, não em dez, pois a cada mês o valor investido é um pouco maior.

 

Feito isso, vamos às definições mais comuns de prazo para os investidores. O curto prazo normalmente será algo até dois anos. E o fato de se definir os dois anos como limite deve-se à tributação do imposto de renda. Se você aplica em um investimento que é tributado e o resgata em até 180 dias, você pagará 22,5% de imposto sobre os rendimentos. Entre 181 e 360 dias a alíquota desce para 20%. Entre 361 e 720 dias, o imposto a ser pago é de 17,5% dos rendimentos, e depois disso a alíquota desce para o seu mínimo, 15%. Isso é muito importante na hora de escolher no que investir, pois uma LCA de 90% do CDI rende mais que um CDB que paga 105% do CDI, depois dos impostos.

 

O médio prazo está entre três e cinco anos. Para uma empresa, isso pode significar a abertura de uma filial ou a entrada em um novo mercado, por exemplo. Para um investidor, pode ser um bem de valor mais significativo, eventualmente um carro, ou mesmo despesas continuadas. Por exemplo, se você está se casando agora, quando você pretende ter um filho? Ou dois? Se o nascimento da criança está previsto para esse prazo, é necessário planejar a troca da casa para uma maior, despesas com o vestuário etc... Tudo depende dos teus sonhos e objetivos. No exterior, esse prazo normalmente se estende para os dez anos, mas como estamos no Brasil, cinco anos já está bom.

 

Por fim, todo e qualquer objetivo seu que você deseja alcançar depois de cinco anos entrará na categoria sonho de longo prazo. Filhos, escola dos filhos, viagem em família, casa própria, aposentadoria, tudo o que não pode ser realizado em até cinco anos entrará ali. E é nessa hora que o planejamento financeiro é importantíssimo. Você pode usar um simulador de aposentadoria que as seguradoras oferecem para ver como é importante planejar uma estratégia e a executá-la. Se você tiver 35 anos para poupar cem reais por mês, a uma taxa de juros de 8% ao ano, te deixará R$ 3,5 milhões de poupança. Mas se você poupar por apenas 25 anos, o bolo já diminui para R$ 1,5 milhões (dois milhões sumiram nesses dez anos que você não economizou).

 

O estabelecimento de sonhos e metas também serve como um incentivo para você economizar. E tenha em mente que a vida muda o tempo todo. Então, estabeleça seus sonhos, mas volte sempre a eles para revisá-los caso necessário. O que antes era urgente talvez não seja mais, o que era necessário talvez já não seja mais, e agora o objetivo é outro. Redefina isso, realinhe sua estratégia, e seja feliz.

 

Bons investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos

(adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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