Túmulo das crianças do Rio Verde,segue comovendo mais de um século depois

Postado por admin 21/11/2025 0 Comentários Geral,

 

 

Túmulo das crianças do Rio Verde, em Campo Largo, segue

comovendo visitantes mais de um século depois

 

 

 

 

Mesmo após mais de 120 anos, o túmulo de duas crianças continua sendo um dos mais visitados do Cemitério Municipal de Campo Largo, em Finados. No pequeno jazigo de Pedrinho e Mariazinha Binek, não faltam flores, anjinhos, terços e até chupetas novas deixadas por pessoas que passam pelo local em busca de consolo, proteção ou para agradecer graças alcançadas.

 

 

 

 

A tragédia que deu origem a essa devoção popular aconteceu em 1903, na região rural do Rio Verde, e chocou toda a comunidade da época. As duas crianças, de apenas 4 e 7 anos, foram brutalmente assassinadas com golpes de facão, e o crime ganhou destaque na imprensa paranaense.

 

O pesquisador Adriano Luz dos Santos tem se dedicado a resgatar registros antigos e a compreender melhor o caso. Ele conta que, na época, as autoridades recolheram os corpos das crianças e os levaram para o antigo prédio da cadeia do município, onde também estavam os pais das vítimas, José e Magdalena Binek. “Muitas pessoas foram até o local, comovidas com a tragédia — estima-se que cerca de mil pessoas tenham se reunido. Entre elas, estava Dionísio Antônio da Silva, de 18 anos, que trazia um facão na cintura e demonstrava grande revolta diante do crime. A mãe das crianças desconfiou de sua atitude e pediu que a polícia examinasse a arma. Embora o facão tivesse sido lavado, ainda havia manchas de sangue. Foi assim que ele acabou sendo descoberto e confessou o duplo assassinato”, explica Adriano.

 

Dionísio disse à polícia que atacou as crianças após ser “mal respondido” ao cumprimentá-las. A frieza do depoimento e a brutalidade dos fatos geraram revolta. O criminoso foi condenado por júri popular a 30 anos de prisão. Ele morreu vítima de tuberculose na cadeia pública.

 

 

 

 

No entanto, Adriano Luz destaca que há algumas inconsistências nos registros históricos. “Nos documentos antigos, o nome do menino aparece como André, mas no túmulo está registrado como Pedrinho. Outra divergência está na data do crime: os jornais da época registram o acontecimento em 15 de abril de 1903, enquanto a lápide mostra apenas o ano 1904.

 

 

 

 

A história de Pedrinho e Mariazinha permanece viva no imaginário da população. Uma lembrança silenciosa de que a fé e a compaixão continuam vivas, mesmo diante de uma das páginas mais tristes da história campo-larguense.

 

 

   

 

 

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