
Seu dinheiro por Adriano Koehler
Os investimentos na era da inteligência artificial

No dia seis de novembro recebi uma mensagem de um amigo com a seguinte resposta de um agente de inteligência artificial (não sei qual) a uma pergunta dele (provavelmente, qual investimento rendeu mais nos últimos tempos):
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Aplicação / Investimento |
Rentabilidade Anual Média (a.a.) |
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Poupança |
6,0% |
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CDB (renda fixa) |
10,5% |
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Fundos Imobiliários (média) |
12,0% |
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Bolsa de Valores (Ibovespa, média histórica) |
14,0% |
Bora pra bolsa de valores, então? Não é bem assim. Daí perguntei a ele qual era o prazo, e o Gemini do Google respondeu assim:
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Aplicação / Investimento |
Rentabilidade acumulada |
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Poupança |
17,5% |
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CDB (100% do CDI) |
27,5% |
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IFIX (o índice de fundos imobiliários da B3) |
13,8% |
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Ibovespa |
32,2% |
E se colocarmos a mesma pergunta, mas para 12 meses, o resultado ficaria assim
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Aplicação / Investimento |
Rentabilidade nos últimos 12 meses |
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Poupança |
Entre 6,82% e 8,05% |
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CDB (100% do CDI) |
13,71% |
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IFIX (o índice de fundos imobiliários da B3) |
Entre 12,60% e 13,10% |
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Ibovespa |
Entre 17,45% e 28,40% |
Ou seja, se pegarmos o primeiro agente de IA, o IFIX seria o segundo melhro investimento. Mas em outras janelas de tempo, o IFIX foi pior que a poupança, de acordo com a IA. E mesmo a bolsa, ela apresentou um resultado muito bom esse ano, mas em 2024 ela foi um desastre.
A inteligência artificial está trazendo muitas ferramentas para o leigo poder fazer comparações cada vez melhores e poder ter mais assertividade na hora de fazer os seus investimentos. No entanto, é importantíssimo saber que perguntas fazer e como fazê-las, para que as respostas que a IA traga sejam realmente boas guias de seu investimento.
Um uso muito bom é pedir para a IA analisar o balanço de uma empresa. Você sobe o documento para a IA e ela se encarrega do data crunch, ou seja, de analisar todos os dados ali publicados e fazer os cálculos dos indicadores (lucro sobre capital, endividamento, lucro líquido, lucro antes de impostos, depreciação etc) para que então você poder decidir se compra ações dessa empresa ou não. Bem mais fácil que fazer a conta no lápis, não é mesmo?
Outra opção é subir dois balanços para a IA e perguntar qual das duas tem o balanço mais sólido, ou com mais potencial de crescimento. Em situações em que você quer se posicionar em um setor, digamos energia, e quer escolher entre Copel e Engie, por exemplo, a IA pode dar pistas de qual está com o balanço melhor.
Perguntar à IA sobre rentabilidades passadas de determinados produtos, facilidade de se investir em um ou outro, avaliações de risco, etc, podem lhe poupar tempo também na hora de fazer escolhas. Ou mesmo na hora de simular uma carteira de investimentos. No entanto, tenha em mente que a IA irá buscar apenas informações públicas na internet, e que nem sempre essas informações são fidedignas. Lembre-se das Lojas Americanas, que tinha balanços bons e auditados e deu no que deu. Também é importante lembrar do seu perfil de investidor. Se você não fizer a pergunta correta, a resposta que vier pode não ser adequada ao seu perfil, e só lhe trará frustração (e eventualmente prejuízos). Tome cuidado!
E Bons investimentos!
Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)
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