A diferença entre saber e achar

Postado por admin 02/01/2026 0 Comentários Economia,

 

Seu dinheiro por Adriano Koehler

 

A diferença entre saber e achar

 

 

Todos os anos, o Banco Santander publica a Pesquisa Global de Educação Financeira, feita em parceria com a Ipsos UK (instituto de pesquisa). Como o banco tem atuação em todo o planeta, é uma oportunidade interessante de ver como nós brasileiros nos relacionamos com o dinheiro na comparação com o resto do mundo. A última edição da pesquisa tem um dado positivo e um negativo para nós. O positivo é que acreditamos que podemos gerir o nosso próprio dinheiro de maneira competente. O negativo é que não conhecemos o suficiente de economia para fazer isso. Ou seja, dizemos que sabemos, mas não sabemos fazer.

 

Basicamente, 73% dos brasileiros (ante uma média global de 72% dos entrevistados) disseram aos pesquisadores que tem confiança na gestão do próprio dinheiro. Mas essa auto avaliação positiva não resistiu a duas perguntas simples. A primeira dela dizia respeito à inflação. Quando perguntados sobre o que acontece com o preço de custos e serviços se a taxa anual de inflação cai 50%, mas ainda assim permanece acima de zero, 73% das pessoas responderam errado, ou seja, disseram que os preços caem. Na prática, no cenário hipotético descrito, os preços continuam a subir, mas mais lentamente. A segunda pergunta, talvez ainda mais simples, perguntava sobre juros em aplicações financeiras, ou, mais especificamente, quanto dinheiro a pessoa teria se aplicasse 100 dólares a uma taxa de 2% ao ano. 67% dos brasileiros erraram a resposta, ou seja, não souberam identificar que nessa taxa 100 dólares virariam 102 ao final de um ano. No mundo, a média de errados foi de 48%.

 

Esses resultados evidenciam a falta de educação financeira na infância e adolescência. Ao redor do mundo, as pessoas pedem educação financeira na escola, mas também acreditam que os pais, governos e bancos devem ajudar nessa tarefa. A pesquisa também mostrou que a maior parte das pessoas gostaria de saber mais sobre investimentos (63%), poupança (61%), impostos (51%) e orçamento doméstico (52%).

 

Sobre educação financeira, como as pessoas não a tiveram na escola, as redes sociais acabam preenchendo essa falta e hoje, no mundo, uma em cada cinco pessoas recorre às plataformas para aprender e acessar conteúdos financeiros. Aqui no Brasil, os órgãos reguladores só recentemente começaram a se preocupar sobre quem divulga esse tipo de conteúdo, para evitar fraudes ou manipulação de mercado, dada a relevância e penetração das redes entre nós.

 

Pense em colocar uma meta de educação financeira entre seus objetivos de 2026. Esse sim será um dos melhores investimentos que você fará em sua vida e poderá significar a virada na chave de uma pessoa com as contas sempre em equilíbrio tênue para uma com dinheiro no bolso para realizar seus sonhos.

 

Bons Investimentos!

 

Adriano Koehler é jornalista e assessor de investimentos (adriano@solutioinvestimentos.com.br)

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