
Maio Amarelo: um minuto de desatenção pode deixar uma mãe esperando para sempre

Em 28 de setembro de 2011, Maria de Lourdes Alberton Gasparetto recebeu uma notícia que mudaria sua vida para sempre. Após passar cinco dias internado na UTI, seu filho Geovani não resistiu aos ferimentos causados por um acidente de moto.
Ele voltava para casa após um dia de trabalho e, a poucos metros de casa, colidiu com um caminhão. Geovani tinha 26 anos, havia concluído a faculdade há quatro e se casado há apenas dois.
Prestativo, ele ajudava a família na criação de gado e colhendo legumes e verduras na horta localizada no fundo da casa. Adorava bolo de chocolate e era muito apegado à sua mãe. Geovani queria ter filhos, constituir uma família e, no futuro, comprar uma chácara. Não houve tempo para nada disso.
Atualmente, quase quinze anos após o acidente, Maria de Lourdes relembra os momentos que passou com o filho — seja no silêncio que irrompe no meio de uma frase, quando a memória chega antes da razão, seja folheando o álbum de fotos que ela guarda com registros de quando ele era criança ou do casamento do jovem. Mas as fotografias não vão muito além disso. Não houve tempo para que ele vivesse mais experiências.
“A gente sente muita falta dele, não só pela ajuda, mas pela companhia”, diz Maria de Lourdes. “Eu o imagino, se estivesse aqui, com filhos, porque ele queria tanto ter filhos… Ele gostava tanto de criança. Agradeço a Deus o tempo que o Geovani ficou comigo, 26 anos, que ele me ensinou muita coisa.”
Tantos sonhos não realizados, tantos momentos de alegria que não aconteceram, tantas situações que poderiam ser compartilhadas — assim como as cerca de 37 mil vidas perdidas por acidentes de trânsito anualmente no Brasil. Em média, isso representa uma morte a cada 15 minutos; quatro vítimas a cada hora. No Paraná, apenas em 2025 foram 593 mortes, muitas de jovens, muitos motociclistas.
Convivendo com a perda durante todo esse tempo, Maria de Lourdes pede mais atenção e educação no trânsito. “Eu dirijo, mas tenho muito medo, porque as pessoas são muito estressadas, xingam todo mundo, querem passar na frente”, afirma. “Eu tenho medo de dirigir porque ninguém tem respeito; o respeito está faltando.”
CAMPANHA - O Maio Amarelo é um movimento internacional de conscientização para a redução de acidentes de trânsito, realizado todo mês de maio. No Brasil, reúne órgãos públicos, empresas e cidadãos em ações de educação e segurança viária.
Em 2026, a campanha teve como lema "No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas", e Campo Largo participa com a realização de ações educativas, distribuição de material informativo e atividades em vias públicas ao longo de todo o mês.
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