Campo Largo preserva três patrimônios históricos tombados

Postado por admin 11/08/2026 0 Comentários Economia,

 

 

Campo Largo preserva três patrimônios históricos tombados

 

 

 

 

Em 17 de agosto é celebrado o Dia do Patrimônio Histórico. A data é uma oportunidade para os campo-larguenses voltarem a atenção para construções, monumentos, espaços e outros elementos que ajudam a preservar a memória da comunidade. Em Campo Largo, três bens possuem tombamento como patrimônio histórico: o Parque Histórico do Mate, localizado às margens da BR-277, na Rondinha; o Monumento Antônio Tavares, também às margens da rodovia, na região da Ferraria, e o Museu Histórico de Campo Largo, no centro.

 

 

 

 

Mas aquilo que representa a memória do município vai além dos bens oficialmente tombados. Para a historiadora e coordenadora do Museu Histórico de Campo Largo, Lindamir Ivanoski, o patrimônio também está presente nos conhecimentos, nas referências e nos elementos que ajudam uma comunidade a compreender sua trajetória.

“O patrimônio cultural de cada comunidade pode ser considerado a sua cédula de identidade”, afirma a historiadora. Segundo ela, preservar esses elementos significa manter vivos registros construídos ao longo do tempo e que ajudam a compreender como o município chegou ao presente.

 

O QUE SIGNIFICA DIZER QUE UM PATRIMÔNIO É TOMBADO?

 

O tombamento é uma forma de proteger bens considerados importantes para a história e a cultura de uma comunidade. Essa proteção pode ocorrer em diferentes esferas. O tombamento municipal reconhece a importância do bem para a história e a identidade de Campo Largo. No âmbito estadual, a proteção é feita pelo Governo do Paraná, quando o bem possui relevância para a história paranaense. Já o tombamento federal é realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhece a importância do bem para a memória e a cultura de todo o país.

 

Em Campo Largo, são três bens tombados que possuem diferentes níveis de proteção. O Parque Histórico do Mate é o único patrimônio do município tombado nas esferas estadual e federal. O conjunto foi construído por volta de 1870 e preserva uma estrutura ligada a um dos principais ciclos econômicos que marcaram a história do Paraná.

 

Décadas depois, a construção passou por restauração e foi transformada em Museu do Mate, preservando parte da estrutura e dos equipamentos relacionados à antiga atividade. O tombamento estadual ocorreu em 1968. Em 1985, o conjunto também foi reconhecido pelo Iphan, em uma proteção que abrange o engenho, o acervo e o terreno. O órgão federal considera o local um importante exemplar da arquitetura rural e um dos últimos remanescentes dos antigos engenhos de erva-mate movidos por força hidráulica no Paraná.

 

No Centro, está o Museu Histórico de Campo Largo, que teve o tombamento municipal oficializado em 2023. O prédio foi construído em 1911 e, ao longo de mais de um século, recebeu diferentes funções. Antes de se tornar museu, abrigou o Colégio Macedo Soares e também o Fórum Municipal.

 

O prédio abriga atualmente exposições permanentes que apresentam o ciclo do ouro, a produção da erva-mate, o tropeirismo, a imigração e o desenvolvimento da indústria de louças e porcelanas. O museu também mantém objetos relacionados aos expedicionários de guerra. Parte desse acervo chegou ao museu por meio de doações de famílias tradicionais de Campo Largo, que entregaram objetos e coleções particulares para que fossem preservados e apresentados ao público.

 

O terceiro patrimônio tombado de Campo Largo é o Monumento Antônio Tavares, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e construído em 2001. A obra foi erguida em memória de Antônio Tavares Pereira, trabalhador rural morto em 2 de maio de 2000, durante um confronto ocorrido na região. Em 2023, foi reconhecido patrimônio histórico-cultural.

 

O PATRIMÔNIO QUE ESTÁ NAS RUAS

 

Embora os três bens tenham proteção oficial, eles não são os únicos elementos que ajudam a contar a história de Campo Largo. Alguns deles fazem parte da paisagem cotidiana e podem passar despercebidos.

 

Lindamir cita como exemplo os painéis instalados em diferentes pontos do município. Na fábrica da Incepa, por exemplo, há um memorial feito pelo artista Poty Lazzarotto em homenagem aos primeiros imigrantes suíços que chegaram à região e participaram da fundação da empresa. Na Praça do Museu, dois outros painéis apresentam referências históricas. Um deles marca os 500 anos do descobrimento do Brasil e o outro reúne acontecimentos relacionados à formação de Campo Largo e aos ciclos econômicos do ouro, da erva-mate e da mineração.

 

São elementos que fazem parte da paisagem, mas que também funcionam como registros de diferentes momentos da cidade. Para a historiadora, reconhecer esse tipo de patrimônio é importante porque a preservação não se limita às grandes construções ou aos imóveis mais antigos.

 

Uma edificação, explica Lindamir, passa a ter importância patrimonial quando possui algum significado para a história do município. O mesmo princípio pode ser aplicado a objetos, documentos, monumentos e outros elementos que ajudam a preservar referências coletivas.

 

UMA LEI CRIADA DEPOIS DE MUITAS PERDAS

 

A preocupação com a preservação ganhou uma legislação específica em Campo Largo em 2018. A Lei Municipal nº 3.009, de 19 de dezembro daquele ano, regulamenta o processo de tombamento e estabelece regras para a proteção dos bens históricos e culturais do município.

 

Para Lindamir, a legislação chegou depois de muitas perdas. Antes de existir uma regulamentação específica, segundo a historiadora, alguns imóveis históricos acabaram demolidos. Em alguns casos, os proprietários não entendiam o significado do tombamento e acreditavam que, ao ter um imóvel reconhecido como patrimônio, deixariam de ser seus donos.

 

A historiadora explica que mesmo com o tombamento, o bem continua pertencendo ao proprietário e pode passar por reformas e intervenções, desde que sejam respeitadas as características e estruturas que justificaram sua preservação.

 

Para a historiadora, cada perda também representa o desaparecimento de uma parte da memória coletiva: “se não preservarmos os aspectos históricos, culturais, materiais e imateriais de nossa cidade, nós vamos perder a nossa memória. Nós vamos perder a nossa história. E o povo que não tem memória, não tem história”.

 

A PRESERVAÇÃO TAMBÉM PODE PARTIR DA COMUNIDADE

 

A legislação municipal permite que qualquer cidadão de Campo Largo solicite o tombamento de um bem. O pedido precisa apresentar uma justificativa e é encaminhado para análise do Conselho da Cultura, que realiza os estudos necessários antes de o processo seguir para as demais etapas previstas na legislação.

A possibilidade amplia a participação da própria comunidade na definição daquilo que merece ser preservado. Fotografias, objetos, documentos, monumentos, espaços e manifestações culturais também podem carregar lembranças importantes para quem viveu ou vive no município.

“Se o patrimônio funciona como uma espécie de identidade coletiva, conhecer e reconhecer esses bens também significa entender como Campo Largo chegou até aqui”, relata Lindamir.

 

Por: Duda Boaron

 

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