
Três equipes campo-larguenses vão representar o Paraná na final da Olimpíada de História

Nos dias 29 e 30 de agosto, três equipes de Campo Largo vão participar da fase final da Olimpíada Nacional em História do Brasil, em Campinas (SP). Orientados pela professora de História Juliane Moraes, estudantes do Colégio Sesi, do Colégio Estadual Sagrada Família e do Colégio Estadual Cívico-Militar Macedo Soares são os únicos representantes do Paraná na final desta edição.



Juliane orientou 21 equipes nesta edição. As três que chegaram à final conquistaram medalha de ouro na etapa estadual. No ensino médio, o Colégio Sesi será representado por Vinicius Nunes Barreto, Vitor Hugo Camilo e Gabriel Wilsek Mendes Dorado. Pelo Colégio Estadual Sagrada Família, participam Sarah Gabriela Plep do Nascimento, Felype de Souza Duquesne e Sophie Ferreira Bonacin. No ensino fundamental, a equipe do Colégio Estadual Cívico-Militar Macedo Soares é formada por Jhonatas Matias Oliveira, Pedro Henrique dos Reis Pontes e Livia Vitoria Moreira.
A classificação foi conquistada depois de cinco fases on-line, realizadas entre maio e junho. Cada etapa tinha duração de uma semana. As equipes recebiam as questões na segunda-feira e tinham até sábado à noite para enviar as respostas. Os desafios envolviam questões de múltipla escolha com diferentes níveis de dificuldade e exigiam pesquisa, interpretação e discussão entre os integrantes. Para Juliane, a competição exige uma habilidade que vai além do conhecimento dos fatos históricos. “Não é só saber o que aconteceu, mas saber o como e o porquê. Pensar as mudanças e permanências”, explica.
Entre os momentos que marcaram a trajetória das equipes nas etapas on-line está uma questão sobre Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil. O material também mencionava que ela havia sido professora em uma escola no interior de Campo Largo. “Na hora que eles leram Campo Largo citado no documento, foi muito legal, eles ficaram bem felizes”, lembra Juliane.
A professora também destaca a conquista das duas equipes de escolas públicas que chegaram à final. Segundo Juliane, a orientação dos estudantes da rede pública é feita de forma voluntária, fora de sua carga horária. Ela conta que, nos últimos anos, tem conseguido levar alunos da rede estadual até a fase final, mesmo diante das dificuldades para viabilizar a participação na competição. “Mostrar que os nossos alunos não estão ali só para fazer atividade e tirar nota, mas que eles tem essa capacidade de fazer pesquisa, de produzir conhecimento, de argumentar, de disputar, de estar nesses espaços que são de excelência”, afirma.
Para Juliane, a participação na Olimpíada também transforma a relação dos estudantes com a História. Segundo ela, mesmo os alunos que não chegam à final passam a perceber a disciplina como um processo de investigação, pesquisa e diálogo. “Eles vão percebendo que História não é só um conjunto de conteúdo, que História é investigação, é cultura, é diálogo. Você não vai ter resposta pronta. Você precisa fazer perguntas, comparar, interpretar, aprofundar, pesquisar, descobrir coisas novas”, diz.
Na fase final, os estudantes vão realizar, no sábado (29), uma prova dissertativa em equipe. Eles não vão poder consultar materiais externos, podendo trabalhar apenas com as fontes fornecidas pela organização. O tema desta edição é “Mulheres cientistas, mulheres na ciência”. Os estudantes do ensino médio terão ainda a possibilidade de participar, no mesmo dia, de uma segunda prova relacionada ao edital de vagas olímpicas da Unicamp.
Juliane explica que a iniciativa oferece uma oportunidade de ingresso em alguns cursos da universidade para estudantes que se destacam em olimpíadas escolares.
No domingo (30), será realizada a cerimônia de premiação. Embora os alunos estejam na expectativa por uma medalha, Juliane considera que a principal conquista está na experiência adquirida durante todo o processo. “Eu falo para eles que o grande prêmio da Olimpíada é o conhecimento e a experiência que eles levam”, afirma.
A professora espera que os estudantes também levem da experiência uma maior confiança para ocupar espaços acadêmicos e ampliar as possibilidades para o futuro. “Que eles percebam o quanto eles são capazes, perceber o quanto eles podem conquistar, como o mundo é grande, como eles podem conquistar o mundo”, afirma.
Depois de acompanhar diferentes equipes ao longo dos anos, a professora considera que ver o desenvolvimento dos estudantes é uma das principais recompensas do trabalho. “Eles são a minha maior medalha. Não me interessa se vai vir uma medalha de honra ao mérito, se vai vir uma medalha de ouro. Ver esse crescimento deles, ver essa empolgação deles, para mim já é a minha melhor medalha”, resume.
Por: Duda Boaron
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