Capelinhas mantêm viva tradição de mais de 80 anos entre famílias católicas

Postado por admin 25/08/2026 0 Comentários

Capelinhas mantêm viva tradição de mais de 80 anos entre famílias católicas

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Há mais de 80 anos, uma pequena imagem de Nossa Senhora percorre lares de Campo Largo e ajuda a manter viva uma tradição da fé católica. O movimento das Capelinhas começou na Paróquia Nossa Senhora da Piedade em 1947 e, atualmente, reúne 115 capelinhas, 168 mensageiras e 2.950 famílias que recebem as imagens mensalmente. A proposta é levar às casas um momento de oração e fortalecer a fé em Maria.

 

 

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Por trás dessa rede estão pessoas responsáveis por fazer a tradição continuar. O casal Nair Scapin, 67 anos, e Jorge Cavalli, 69, está há oito anos na coordenação do movimento. Nair, que contribui com o movimento das Capelinhas há cerca de 25 anos, divide com o marido a tarefa de acompanhar as famílias, as mensageiras e a circulação das imagens.

A imagem permanece um dia em cada casa e segue para a família seguinte, permitindo que todas sejam visitadas ao longo do mês. A média é de 25 famílias por capelinha. Ao recebê-la, a orientação é reservar um momento para a oração, de preferência com a família reunida para rezar o terço, além de uma oração de acolhida e outra de despedida.

A rotina, porém, precisou acompanhar as mudanças na vida das famílias. Se antigamente havia horários mais rígidos para a entrega, hoje a coordenação trabalha com maior flexibilidade. A pandemia também exigiu adaptações. Naquele período, Nair e Jorge passaram a fazer o trabalho de organização diretamente nas casas, recolhendo informações e estruturando os cadastros das famílias. O processo acabou deixando um legado para o funcionamento atual: listas que antes ficavam em apostilas foram digitalizadas, com telefones celulares e endereços. Assim, quando uma nova família procura uma capelinha, a coordenação consegue verificar onde há vaga e qual imagem está mais próxima.

A modernização facilitou a organização, mas não eliminou os desafios. Na região central, algumas residências deram lugar a estabelecimentos comerciais, fazendo com que duas capelinhas precisassem ser reunidas em uma. Ainda assim, a procura continua. “Nós gostaríamos que tivesse muito mais capelinhas, mas continua tendo procura, graças a Deus, continua”, afirma Nair. Segundo ela, há famílias que ainda criam novos grupos para participar do movimento.

Outra preocupação é a renovação das mensageiras, que são as responsáveis por acompanhar um grupo de famílias. Cabe a elas cuidar para que a capelinha passe de uma casa para outra, transmitir informações do movimento e ajudar a resolver eventuais dificuldades. Muitas estão há décadas na função, enquanto existe dificuldade para atrair pessoas mais jovens.

Para Nair e Jorge, porém, a responsabilidade é mais simples do que pode parecer. A própria Nair resume: “É uma coisa tão simples”, referindo-se ao trabalho das mensageiras. Quando perguntada sobre o significado de ajudar a manter essa história viva, Nair responde: “Acho que isso não tem preço.”

UMA FESTA PARA AS FAMÍLIAS

É essa história que será celebrada no dia 30 de agosto, durante a Festa das Capelinhas. A programação começa com missa às 10h30, na Igreja Matriz Nossa Senhora da Piedade, seguida do tradicional almoço. Às 14 horas, será realizado o festival de prêmios, no Centro de Eventos João Paulo II.

Neste ano, a celebração terá um significado especial. As 115 capelinhas deverão ser levadas para a igreja e reunidas no altar principal. Nos últimos anos, a presença de todas havia sido prejudicada pelo período da pandemia e, posteriormente, pela reestruturação da paróquia e pela limitação de espaço. Agora, a intenção é reunir novamente todas as imagens.

Para Nair, a festa é mais do que uma celebração religiosa. É também um momento de encontro entre as famílias que fazem parte do movimento. “É uma espiritualidade, mas é o momento também de partilhar”, afirma. A presença das capelinhas, segundo Nair, também pode estimular quem ainda não participa a abrir as portas de casa para a visita de Nossa Senhora.

Por: Duda Boaron

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